Pensamento: A oportunidade
"O Caminho para a Felicidade", SS. Dalai Lama
Sugestões, críticas e pensamentos sobre Arte e outros vícios
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Anastácio Neto
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Deixei de fumar e de beber álcool. Provavelmente das incontáveis decisões que tomei em 32 anos de vida, estas duas, estão, indubitavelmente, no "top ten" das mais acertadas. Os resultados positivos ao nível da saúde, da mente, do espírito e das finanças não se fizeram esperar, são imeditados. Esta é uma realidade inquestionável. Em todo este processo observei alguns fenómenos que podem ser úteis para quem está a pensar em deixar de fumar. É unicamente com essa intenção que escrevo este texto e por acreditar, sinceramente, que se eu consegui, qualquer pessoa também pode conseguir, pois, acreditem não tenho uma força de vontade particularmente grande ou uma elevação de espírito fora do comum, bem pelo contrário.
as, contar cigarros e coisas do género. Já tentei e não resultou. Para mim as reduções são como chegar a uma bifurcação e meter um pé em cada caminho. Não se vai a lado nenhum ou, na melhor da hipóteses, caminha-se devagar ao pé coxinho. Quando se tira um adesivo da pele, o ideal o que este saia o mais depressa possível. Também não acredito em medicamentos de substituição, exactamente pelo mesmo princípio, o de continuarem a injectar nicotina. O nosso corpo naturalmente sabe o que é melhor para nós. Se necessitássemos de nicotina para viver não teria deixado de fumar, nem estaria a escrever este texto.
Não fumar vai de encontro à verdadeira natureza do corpo e da mente. O ser humano naturalmente não fuma. Deixar de fumar custa, exige esforço, mas a natureza está do nosso lado. Esse esforço não é tão grande quanto a nicotina nos faz acreditar. Ao longo do processo vamos tendo consciência disso mesmo. Ela exagera pois sente-se desde logo ameaçada. Sabe que a sua vida está em perigo, tenta proteger-se. Não está a pensar em nós, no nosso bem estar, mas no dela. Na verdade, o nosso bem estar, a nossa saúde passam precisamente pelo caminho oposto, por não fumar, por expulsar a nicotina do nosso organismo. Ela conhece o nosso verdadeiro poder, sabe que somos capazes, sabe a força verdadeira da nossa natureza e da nossa capacidade de escolhermos o melhor para nós próprios, sabe que temos todas as ferramentas e a força necessárias para deixar de fumar, para mudar de caminho. E isso assusta-a. Quanto maior é a nossa consciência do medo maior é a nossa capacidade de o vencer. A nicotina sabe disso, dai jogar com essa arma, esse trunfo, essa mentira, do não és capaz de me vencer, de me olhar nos olhos, de me expulsares de ti, do teu organismo. Na verdade, trata-se de um processo de purificação muito parecido com um exorcismo. A relação entre fumador e nicotina é de poder pela conquista e domínio de um espaço. A nicotina é tão inteligente que, em alguns casos, mexe com a auto-estima e com o ego do fumador, colocando como credível a possibilidade da nossa vitória, mas num futuro suficientemente distante e improvável para não termos de fazer nada e continarmos como estamos, convencendo-nos, por exemplo, que só com um grande susto, uma doença grave, é que seriamos capazes de deixar de fumar. Nada mais falso. As motivações para deixar de fumar são internas e não externas. Milhares de pessoas deixam drogas duras, superam situações bem mais complicadas, simplesmente por que se mentalizaram de que é necessário escolher a vida. Afinal quem manda em si? Na realidade, certamente já passou por situações objectivamente mais complicadas e difíceis, que exigiram esforços superiores ao de deixar de fumar. Deixar de fumar está ao alcance de qualquer pessoa. E antes de ser fumador, é-se a pessoa, esta é a primeira grande verdade que é necessário acreditar, interiorizar, mentalizar.
Estou convencido que o sucesso no deixar de fumar reside essencialmente na interiorização de factores internos (convicções e crenças) e não tanto em "coisas" externas (amigos, medicamentos). Num terramoto não é a pintura da fachada da casa que vai manter o edifício em pé, mas sim a profundidade e solidez dos alicerces. Então antes de deixar de fumar importa identificar as convicções que nos podem ajudar e servir de alicerces nos dias de tempestade. Para tal, basta olhar para a realidade como ela é e não como gostariamos que ela fosse.
do deixei efectivamente de fumar, a nicotina começou passados 15 minutos a atirar-me com outra mentira: a pedir-me mais nicotina como esta fosse a coisa mais importante para mim, algo essencial para a minha sobrevivência. Tive logo vontade de acender um cigarro. Esta vontade é sinal que de se está no bom caminho. Na realidade, a vontade de fumar é um grito de desespero da nicotina que encostada contra a parede, vê que está a morrer e grita por ajuda. Esse grito materializa-se numa sensação de cobiça por mais nicotina. Se você a ajudar está desde logo a multiplica-lhe a força. Importa estar preparado para esta sensação, para estes gritos, pois ao vencê-los estamos a dar um passo muito importante, essencial mesmo, para nos libertarmos desse inimigo. Para vencer essa sensação de cobiça, em vez de ignorá-la, importa conhecê-la, olhar de frente para a sua verdadeira natureza. Na realidade, se pararmos um pouco e olharmos para essa sensação, tomamos consciência de três verdades que, para mim foram essenciais para deixar de fumar.
eira: a verdadeira natureza das sensações é serem impermanentes, serem passageiras, elas desaparecerem tão rapidamente quanto aparecem. O vontade de fumar não é excepção. A vontade de fumar, como cobiça, ergue-se como se fosse uma montanha intransponivél para passados apenas cinco ou dez minutos desaparecer e transformar-se num vale pleno de paz. Não vale a pena ceder a algo que cuja natureza é tão inconsistente, volátil, que aparece e desaparece passados apenas alguns minutos.
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Anastácio Neto
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Anastácio Neto
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Depois dos 40 o sexo tem menos tabús. Sente-se mais, pensa-se menos. Depois de ler a interessante entrevista de Márcio Resende à escritora/desenhadora argentina Maitena, publicada na "Única" desta semana, senti-me novamente feliz por ser homem e gostar cada vez mais de mulheres. Vivo há mais de sete anos com uma. É um ser maravilhosamente diferente de mim, uma prova cabal da existência de Deus, do bom e do belo.
No entanto, primeira grande questão que se coloca é: Quando uma mulher conversa com um homem e lhe conta um problema sério, ela quer dele uma solução ou simplesmente um ouvido?
Segunda grande questão: Quando uma mulher diz qualquer coisa, nós (homens) devemos entender o que ela disse ou o que ela quis dizer? Como e quando colocar os duplos sentidos?
Enquando a resposta à primeira questão parece óbvia. O que ela quer é mesmo um ouvido para desabafar. Quer ser entendida. Para nós homens a coisa é um pouco mais complicada. O instinto protector ergue-se, misturado com o ego e alguma vaidade, "afinal, de todos os machos desta selva, é comigo que ela está a desabafar", sentimos logo uma necessidade de a proteger, numa espécie de sindroma de "super-homem", queremos revelar toda a nossa força "sobrehumana claro" e, com um estalar dos dedos, resolver problema que tanto a aflige. "Tás a ver, viver comigo é assim, estás protegida de todo e qualquer problema. Nem tsumanis te conseguem tocar." Naturalmente, o leque de reacções masculinas ao desabafo feminino pode ir bem mais longe do que a do "protector", mas parece-me que esta é a mais primária e comum de todas. Estar simplesmente calado e ouvir o problema sem dar soluções, sem abrir a boca, é o grande desafio e simultaneamente a melhor solução...
A segunda questão, essa é um dos grandes enigmas da vida tal qual a conhecemos. O ideial é entender o que ela quis dizer e não o que disse, mas saber colocar os duplos sentidos na hora certa e no lugar certo requer uma sensibilidade e atenção absolutamente invulgares para o homem comum. Quem as possuir tem mais de metade dos problemas conjungais resolvidos. Naturalmente que, aos fins-de-semana, podemos continuar a ver alguma bola na televisão, (note-se escrevi alguma, não toda), mas tentar entrar dentro dos gostos, ambições e pequenos prazeres femininos pode ser um desafio mais interessante do que à partida parece. Neste campo, os gays já levam metade do trabalho de casa já feito, daí tanto sucesso e admiração com o sexo oposto. Mas, como em tudo na vida, é no meio que está a virtude. Até por que, aos domingos, é mais fácil sofrer com o glorioso do que ir à Timtoreto ou à Mango. Mas há sacrifícios que repetidos muitas vezes se tornam prazeres e, no final do dia, a recompensa é mais intensa e positiva do que as bolas à trave do Nuno Gomes.
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Anastácio Neto
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Estive algum tempo ousente do mundo. Fui fazer um retiro. E que retiro. Deu mesmo para pôr algumas coisas em ordem. O curso de 10 dias de mediatação Vipassana foi para mim uma revelação. Uma das maiores da minha vida. Não foi fácil, e ainda bem, o final é bem mais recompensador. Apesar de ter alguma, pouca, experiência meditativa, orientada pelo Bal Krishna, no PazPazes, aqui no Porto, o silêncio dos dez dias e as generosas horas de meditação e a técnica vipassana trouxeram muita coisa à tona. Libertei-me de alguns complexos e nós que a minha mente guardava há já alguns anos. Penso que o meu ego sofreu um pouco durante este processo, mas ainda bem, ele merecia. Com o encerramento d´"O Comércio do Porto", o ter de sair temporariamente da minha área do jornalismo para "ganhar a vida", muita coisa se agitou dentro no meu grande "ego". O grande jornalista Anastácio Neto, que esteve a beber copos com os Radiohead no Anikibobó, na Ribeira, e ganhou prémios de melhores coberturas jornalísticas, de repente está desempregado, não é impossível. A vida é uma grande licção. Depois de ter deixado de fumar, beber, este ano, felizmente ganhei alguma coragem, a outra foi-me emprestada, e atirei-me de cabeça para a meditação vipassana. Os resultados são surpreendentes. Recomendo. Vou incluir o link da secção portuguesa de meditação vipassana neste blog. Be happy :)
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Anastácio Neto
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A memória é uma corrida contra o tempo. Seduz-me a incerteza do amanhã.
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Tenho andado triste. Na verdade, há muito tempo que não escrevo no "vício", nem corro atrás de eventos culturais. Após o encerramento do "Comércio" uma nova fase se abriu na minha vida. Tenho meditado bastante nas curvas da existência. Acredito que temos de passar por algumas dificuldades para valorizarmos pormenores que passam ao lado na espuma dos nossos dias felizes. Os momentos difíceis possuem o dom de ciclicamente filtrarem o essencial do acessório. Actualmente, encontro-me num processo de "filtragem".
Todo o homem procura a felicidade. Existem ricos tristes e pobres contentes, gente doente com amor à vida e tranquilidade no olhar, pessoas saudáveis com olhos de medo e lágrimas escondidas. Acredito na felicidade enquanto trabalho interior. Conheci centenas de jovens no Perú oriundos de famílias com problemas sociais gravíssimos, mas com uma energia e força de viver impressionantes e "burgueses/narcisos" no Porto anestesiados com o seu reflexo no espelho, incapazes de sair de casa para serem qualquer coisa para além de uma imagem.
Acredito que cada ser humano tem um dom. Importa descobrir qual e colocá-lo ao serviço dos outros. Desistir de viver de acordo com as nossas qualidades é colocar a nossa felicidade em "stand by". Devemos aproveitar os nossos pontos fortes.
Gosto de escrever, de ser jornalista, de conhecer pessoas e divulgar arte, ajudar gente com talentos especiais na música, cinema, teatro. Nem sempre tenho oportunidade de o fazer. Por vezes, a vida obriga-nos a recuar um passo, certamente vou ganhar balanço para avançar dois. Necessitamos de não perder o optimismo, o cheiro dos sonhos e a autoestima de crianças apaixonadas.
PS: Ontem tomei café com um amigo. Nuno gostei tanto de te ver. Um abraço. Braga não fica assim tão longe.
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Anastácio Neto
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"A vida é demasiado curta para ser pequena."
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Post conclusivo ou/e em aberto, tendo em conta a discussão gerada pelo original, "Infantilização da estética feminina", remeto para possíveis análises complementares, que derivaram parcialmente do "input" sobre estética/consumismo, para o excelente artigo "Consumismo" publicado no cinecultura.
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Anastácio Neto
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Parece-me deplorável a forma obscena como a cultura pop audiovisual infantiliza a identidade estética da mulher pós-moderna. Estou cada vez mais cansado de me cruzar na rua e no trabalho com mulheres e jovens vestidas como "teenagers" ou crianças de umbigo à mostra. Não há nada mais ridículo do que ver uma mulher adulta a querer fazer-se passar por uma criança, num combate perdido contra as mazelas por vezes charmosas do tempo. Da indústria cosmética aos modelos das novas séries televisivas "Made in EUA", passando pelas fotografias cor-de-rosa depositadas em formato de revista encima das mesas de um qualquer cabeleireiro ou dentista, as mulheres modernas parecem-se, infeliz e lamentavelmente, com as suas filhas adolescentes.
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Anastácio Neto
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"Death of Marat II", Edvard Munch, 1907 
A pessoa que mais amo no mundo perdeu recentemente o pai. Há 16 dias precisamente. A perda e o luto são, estão a ser, naturalmente, violentíssimos. Ao tentar, toscamente, ser farol e abrigo em noites de tempestade negras e frias, frequentemente penso no meu próprio pai. Como, apesar dos seus 69 anos e dos mais de 300 quilómetros que nos separam, ainda o contemplo com o ser imortal e omnipresente. Como mais tarde ou mais cedo irei inevitavelmente passar pelo mesmo processo e sentir uma dor assim de forte, de insana, de arrebatadora. Há dias li um texto budista que versava sobre a impermanência. "Todos os encontros acabam inevitavelmente em separações". Frase tão pragmática como autêntica. Na verdade, começamos a morrer no dia em que nascemos. As lágrimas que choramos não são pela pessoa amada que partiu, mas sim por nós próprios, pelo facto de perdermos a presença física de alguém que julgávamos que nos pertencia. Quanto mais cedo tomar consciência da impermanência de tudo o que me rodeia, mais depressa me aproximo do verdadeiro conhecimento dos fenómenos e de uma felicidade inabalável e independente dos factores externos. O problema é que sinto que ainda não dei o primeiro passo, que se perdesse o meu pai, apesar de todo o tempo e distância que nos separa, tenho a certeza que iria achar a maior injustiça do mundo se abateu sobre mim, sentir uma dor insuportável e chorar noites longas, negras e frias de uma solidão imensa...
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Anastácio Neto
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Vasily Kandinsky, Composition 8, Julho 1923.

O luto de alguém que amo levou-me a refletir sobre o apego e a forma como nunca estamos preparados para deixar partir a pessoa amada ou o objecto da nossa afeição. Todos os encontros nesta vida acabam inevitavelmente com uma separação. Quanto mais profunda e antecipadamente tomarmos consciência desta impermanência menos estamos sujeitos ao sofrimento...
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Anastácio Neto
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Anastácio Neto
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