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Sunday, July 24, 2005

Bonojour

Depois de uma semana plena de entrevistas chatas, entre belezas americanas de jazz/botox e hip-hop barrista com sotaque do Porto... fim-de-semana de coma, reservado à digestão de "Bono por Bono". Livro-entrevista de Assayas. Enquanto não chega a Nobel da Paz, trabalho forçado de arquelogia pop dos últimos 20 anos para consumo de fãs "harcore", com poucas revelações pelo caminho. Postura diplomática, estética "cool" de Bono ganham terreno à estrela rock que em página alguma chega a tirar os óculos D&G. Fixada a imagem de activista e católico, o registo afirma-se como um exercício paparazzi onde entrevistador e entrevistado ganham o que o leitor perde: uma oportunidade para repensar estruturas pop num contexto de criatividade industrial e ideologias instantâneas.
Após noite de caipirinhas com amigos, transformei a minha sala num aeroporto tipo OTA e consumi o livro de Bono enquanto esperava pelo próximo voo com destino a umas merecidas férias. Mesmo ouvindo "Dismantle" com olhos postos nos anos 80, seguindo receita médica (ac) não consigo evitar um gosto amargo no canto da boca. Mesmo com bilhetes acessíveis e viagens pagas não vou a Alvalade como não fui a Miami. Ainda tenho gravadas no cérebro imagens da ZooTV. Regresso ao Futuro no meu dicionário é um filme do Spielberg.

Wednesday, July 20, 2005

The Ultimate Architects, "Soma"

Resultado parcial de uma conversa antecipando o show-case na Fnac/Stª Catarina, Porto. O excelente "Soma", primeiro longa duração dos The Ultimate Architects, a servir de ponto de partida. D. Architect, líder do quinteto lisboeta, entre delírios cinematográficos de Cronenberg aos perigos da manotecnologia, uma viagem pelo imaginário de um dos projectos mais interessantes da electrónica nacional que pode ser acompanhada na integra no site dos Ultimate Architects ou na versão impresa do Comércio de dia 17.
Registo mais do que importante para a renovação da electrónica "made in Portugal", "Soma" afirma-se como um trabalho pleno de uma maturidade anunciada em "Elevata". Em estúdio mais uma excelente produção de Armando Teixeira, com Luxúria Canibal a erguer-se num tema "Nanotecnologia", o epicentro conceptual de todo o álbum. Apesar do timing não ser o ideal para o lançamento discográfico, fica uma nota de atenção para um álbum consistente que ao "vivo" ganha uma organicidade interessantíssima, prometendo surpreender muito boa gente. Hajam concertos, muito e bons para o últimos arquitectos.

Friday, July 15, 2005

Textos extraordinários: Descobertas alucinantes do programa da Casa da Música

"A música é a mais popular forma de arte entre os jovens músicos portugueses... As novas criações revelam ideias, emoções, gostos, influências, de uma sociedade em constante mutação, permeável a toda a informação que lhes chega através da Internet, da televisão, da rádio, dos jornais, das sms e das outras formas de arte."

Texto extraído do folheto "Programação Julho 2005", da Casa da Música, "Concurso Estado da Nação - 1ª Eliminatória, sexta-feira, dia 15".

Casa da Música fecha para férias

Aparentemente, segundo o JN de hoje, a Casa da Música vai fechar na segunda quinzena de Agosto. A instituição encerra "para manutenção e limpezas profundas, mantendo-se aberta, apenas, a bilheteira para dar informações ao público", esclareceu o departamento de assessoria de imprensa ao JN, justificando: "entendemos que o período mais forte ocorre na primeira quinzena de Agosto, sendo a segunda, apenas, residual. Além disso, a própria cidade entra de férias nessa altura do ano". Palavras para quê. É Portugal no seu melhor estilo.
Depois de apenas pouco mais de três meses de trabalho a Casa da Música já necessita de "limpezas profundas"? Provavelmente ao nível do pessoal, acrescento. "A própria cidade entra de férias nessa altura do ano" é uma desculpa provinciana que releva toda a falta de ambição de um projecto de Estado.

Wednesday, July 06, 2005

Blitz à "24 horas"

Foto, capa e repectivo tema central do Blitz desta terça-feira são históricos sob vários aspectos. "As Canções de Engate - As músicas do Salão Erótico e as outras que fizeram lá falta" é uma afronta clara ao "24 horas" que parece finalmente conhecer no novo Blitz um insuspeito concorrente. A fotografia de capa remete para um universo porno-popular que, sinceramente, me surpreendeu, pois julgava ausente das apostas editoriais portuguesas ligadas aos universos musicais. Depois de piscar o olhos à NME, a mais recente metamorfose do Blitz revelou nesta semana uma pulsão pela vulgaridade unicamente comparável ao pior do audiovisual português ou à versão brasileira Blitzerótica. Espero pelo engano.

Monday, July 04, 2005

"Live 8": Heróis ou hipócritas?

Não me chocou ver a área VIP em Hyde Park comprada por "colarinhos brancos", que, de costas para o palco e para o espectáculo, bebiam garrafas de D. Perignon vendidas no local a 99 libras, nem que Sir Elton John tivesse ido à festa no seu helicóptero particular. O cinismo de alguma imprensa britânica, com Independent em inevitável destaque, sobre o "Live 8" limita-se a explorar o óbvio, o previsível. Espantado ficaria, se a invejada aristocracia rock britânica deixasse os aviões em casa e fosse a pé para o concerto, num gesto de ascese medieval tipo Fátima, tão absurdo e inconsequente, ou que quem ajudou a pagar a conta no final da festa não tivesse direito a um lugar na primeira fila, com ou sem champagne.
Mesmo que tudo o resto falhe, G8 incluído, fica a certeza que, depois de arrumadas as guitarras, a aldeia global e a geração internet conheceram um evento que trouxe, mesmo que temporariamente, a questão africana para a agenda internacional e para o pensamento colectivo. Naturalmente, a pergunta que se impõe é se o G8 ouviu os acordes nostálgicos do "grand finale" com "Hey Jude"? (tema escrito por Sir Paul McCartney ao filho de John Lennon, Julian, após o assassínio do Beatle em Nova Iorque). Não será o G8 a causa do problema africano, mais do que a sua improvável solução? Certamente, ao ouvir McCartney poucos se teram lembrado (e isso sim seria bem mais interessante do que escrever sobre o preço das garrafas D. Perignon), de que foi o Beatle que organizou o pró-patriótico concerto pós-9/11 em Nova Iorque, com a melodia de encerramento a ser usada como slogan "fight for freedom", pela administração Bush na batalha GWOT (Global War on Terror).
Naturalmente a imprensa britânica não acertou nas críticas ao "Live 8", atirando-as deliberamente para o lado mais populista. Blair já tinha ganho nos ecrãs da MTV. Enquanto, a BBC optava por interromper a emissão "live" no momento em que os ecrãs de Hyde Park transmitiam vídeo-choque da fome em África, evocando as técnicas do "Aid" de 1985. Depois de ler alguma impresa internacional, com várias análises ao fenómeno e posições como disse por vezes cínicas e demagógicas sobre um problema dramático, é quase patético, olhar para a ressaca na imprensa nacional. A título de exemplo deixo apenas o mais do que infeliz título do JN de hoje: Reunião dos Pink Floyd acabou por ser a cereja no topo do bolo. A notícia, naturalmente um copy/paste da LUSA, traduz a inércia cada vez maior da imprensa nacional e o desconhecimento do contexto envolvente ao projecto que pouco ou nada tem a ver com o reencontro circunstancial embora simbólico dos cabelos grisalhos de David Gilmour e Roger Waters. Em contraste, a RTP optou pela agressividade do desespero. Faltou profundidade, sobrou emoção. Lamentavelmente, pelo caminho ficou novamente uma oportunidade de debater um assunto tão importante quanto dramático. Entretanto todas as atenções se voltam para a Escócia. Provavelmente, se tudo o resto falhar, a "big thing" será creditada sem sombra de dúvidas a saint Geldof.

Saturday, July 02, 2005

"Live 8"

"Live 8", exemplo interessante de como o fenómeno da globalização, inicialmente satanizada por grande parte da intelectualidade da esquerda europeia, é, de facto, uma via de dois sentidos. Santo Geldof, para além de todas as contradições inerentes a uma figura autocrática, não deixa de reproduzir na música um sentido humanitário tão urgente quanto redentor, há muito ausente na política e esquecido na religião institucionalizada. Desejo um bom começo para esse longo caminho para a justiça e que o G8, um dos maiores símbolos do triunfo da economia privada sobre a "res publica" e sobre o bem comum, dê, já na próxima semana na Escócia, um sinal claro de que a vida humana é para os líderes do mundo bem mais precisosa do que o preço do barril de petróleo. Uma das conquistas da tecnologia é também um aumento da democraticidade dos países ditos desenvolvidos. Não se pode continuar a ignorar a morte de 30 mil crianças por dia. Televisão, rádio, internet, projectos globais unidos a partir de hoje num despertar para a esperança. Esperam-se resultados, abalos de consciência e sobretudo medidas concretas que ajudem a humanidade a acreditar nela própria. "I want to Believe".

Wednesday, June 29, 2005

Noite Halloween do Porto com Moonspell



É a primeira dose da pré-temporada do Fantasporto 2006. Entre múltiplas promessas de Dorminsky, para já, concerto em noite de Halloween (31 de Outubro - 1 de Novembro), no Teatro Sá da Bandeira, com portugueses Moonspell, que passaram ainda este ano pelos Coliseu com Cradle of Filth, e os italianos Daemonia, de regresso ao local do crime, para destilar rock progressivo com Dario Argento em "background". Fantas "marketing" episódio 1 em pleno movimento. Espera-se um 2006 com mais conteúdo e renovadas propostas cinematográficas. "Love Connection" nova secção a inaugurar já na próxima edição em Fevereiro promete espaço para dramas sentimentais e algum erotismo asiático. Para além das novidades e muitos experimentalismos, alguns corajosos, diga-se, espera-se, sobretudo, consistência no grande ecrã. "Fantas Sound" diluído com mulheres húngaras à porta do Passos Manuel. Em 2006 tudo ou quase tudo pode acontecer na Fantas City.

"Éramos Assim", Boite Zuleika

Finalmente um grande disco em português. Primeira longa-duração dos Boitezuleika, "Éramos Assim" merece atenção. Base jazz com misturas funk, ritmos samba, bossa nova e esclarecidas texturas do melhor da música tradicional de autores nacionais com Sérigo Godinho como referência evidente. Lírica inteligente, estruturas sonoras exigentes. Há mais vida e criatividade para além do bem produzido single "Cão Muito Mau". Tema a recordar "Bolero do Coronel Sensível que fez Amor em Monsanto", original extraido do registo "Eu me comovo por tudo e por nada", 1992, de Vitorino, letra da amigo António Lobo Antunes. Um disco para descobrir. "Circo da Amadeu", "Bola de Sabão", "Quiseram Roubar-me Esta Noite", "Tóxico Prostituta", temas que urge conhecer.
Entrei nesta Boite contruída no Porto há já alguns anos depois de um concerto no Hard Club. Surpreendeu-me a maturidade do colectivo. A urgência de conhecer a banda levou-me a uma conversa algures entre o Avis e o Luso, com uma francesinha à frente. Chico & companhia são um excelente exemplo de uma segunda geração de compositores e letristas com talento e garra para herdarem e reactualizarem o legado de Fausto, Godinho e Palma. Adversos à pop "easy", resta ouvir e reconhecer a densidade de um disco com qualidade bem acima da média.

Tuesday, June 28, 2005

Festivais de Verão em análise

Os festivais de verão estão cada vez mais parecidos com os "blockbusters" de fim-de-semana, num qualquer hiper-mercado, com mais de dez salas, no final, simplesmente já não surpreendem. Deixam um gosto amargo. Em vez de arrebatados ficamos com um "poderia ter sido melhor". A desilusão ganha anualmente terreno ao espanto e à surpresa. Na realidade basta analisar as cartazes dos três grandes festivais nos últimos cinco anos para constatar o crescimento de apostas extraídas do panorama audiodigital verificar o aumento vertiginoso de produtor desenhados para o mais lucrativos dos mercados o "teen", que actualmente se afirma com o público alvo dos "i-tunes", "ringtones" e afins. As lições, consequências e efeitos de Rock in Rio só aceleraram um processo de mercantilização em marcha desde 2002. A explusão dos Nickelback no Ermal não foi mais do que um último grito para uma revolução cujos vencedores e vendidos já estavam anunciados na MTV. A pulsão para o pop comercial e aversão à novidade e ao risco não param de aumentar de forma inversamente proporcional à idade do público alvo. Com a excepção do Paredes de Coura, que guardo como o único festival de algum interesse, tendo o bom gosto da Ritmos de João Carvalho, que desvia para Portugal projectos com Yeah, Yeah, Yeahs, The Datsuns, Arcade Fire, Death From Above 1979, entre outros, pouco ou mesmo nada justifica 70 a 80 euros de entrada. O futuro dos festivais do verão é identico ao dos shoppings da actualidade. O público é idêntico. Os patrocinadores são iguais. É equação não deixa margem de manobra para qualquer espécie de criatividade fora do marketing.
Na origem desta tragédia há muito anunciada estão múltiplos factores, a começar, desde logo, os acima referidos e incontornáveis interesses dos patrocinadores em relocalizar eventos a partir das demografias de consumo e construir cartazes à medida do público alvo: O Super Bock Super Rock em Lisboa é provavelmente o caso mais flagrante deste "delito" de invadir a área da Sagres. A luta pelo público "teen" tem de seguir a mesma lógica de consumo de massas, moldando cartazes, alinhamentos, rotas de digressão e favores, naturalmente paralelos, entre nomes de peso e artistas desconhecidos. E é neste espaço que as editoras jogam o pouco poder que ainda possuem. Com a faixa etária do público consumidor a baixar drasticamente, torna-se necessário equilibrar as apostas musicais. Seduzir os pais, não só para deixarem os filhos irem ao festival, mas também para darem lá uma saltada, para ficarem de olho. Assim junta-se na mesma noite de Vilar de Mouros Joss Stone de 15 anos, como Joe Cocker de 61. Quando a geografia não representa uma conquista de um mercado de interesse, assiste-se a fenómenos híbridos, onde vale tudo para todos. A mutação 2005 do Ermal é provalvemente o exemplo mais recente deste formato "multiplex". Uma espécie de "self service" entre o metal norte-americano, o reggae jamaicano e pop planetário. Resultado final, o tal amargo de boca idêntico aos filmes "made in Hollywood". Não surpreendeu mas foi porreiro. Um certo contentamento, descontente, distante das noite de arrebatamento e surpresa que a música, independemente do género pode, sabe e deve provocar. Com a explosão dos "rock fest" na Europa, mais um par de anos, e teremos de nos contentar com Guano Apes, Scorpions, Da Weasel e The Gift, Uma espécie de queima das fitas mas com uma ou outra Madonna "wanna be" para animar a "generation next" de telemóvel 3G em riste.

Tuesday, June 21, 2005

Bill Corgan: "I want my band back"

Perante uma carreira a solo em queda livre, Bill Corgan avança hoje, em notícia da REUTERS, em Chicago, que deseja ressuscitar os Smashing Pumpkins. Naturalmente, na base de um regresso improvável está o actual beco sem saída em que se encontra um dos maiores ícones do rock alternativo e avant-garde dos anos 90, com o álbum "TheFutureEmbrace" a fazer recordar o pior dos Smashing. Apesar de considerar "Siamese Dream" e "Mellon Collie and the Infinite Sadness" dois dos melhores registos da última década e meia, na verdade, não acredito em reuniões criativas e arrebatadoras em final de carreira. Actualmente, os Pixies são, provavelmente, o exemplo mais lamentável dos efeitos secundários da indústria dos festivais de verão.

Saturday, June 18, 2005

À conversa com Pat Metheny

Hoje acordei com telefonema de Pat Metheny, algures na Europa, numa "bus stop" improvável. Este ano o guitarrista tem sofrido de algumas dores nos ouvidos que o impedem de viajar de avião, mas revelou-se cheio de vontade de regressar a Portugal para apresentar ao vivo o mais recente "The Way Up", uma desconcertante peça dividida em cinco partes que serve de protesto contra as "small size songs" feitas para entrar em qualquer telemóvel. Um concerto a não peder no dia 25, sábado, no Coliseu do Porto. Metheny tem levado para casa, nos últimos sete anos, outros tantos Grammys, com "The Way Up", arrisca-se e levar com um oitavo. Jazz impecavelmente estruturado, de alta complexidade, ao vivo abre, naturalmente, espaços para uma improvisação que certamente não deixará de surpreender e encantar.

Casa da Música: Sun Ra Arkestra, o regresso

Com o saxofone de Marshall Allen cilindrado pelo trompete de Fred Adams e pelo trombone de Tyrone Hill, a Sun Ra Arkestra conseguiram com muito o esforço sobreviver anteontem à noite a uma equilização quase mortal, tendo encontrado, em duas horas de actuação, alguns espaço para oferecer dois ou mesmo três bons momentos de free jazz e retro-swing com alguns blues pelo meio interessantes. "Angels and Demons" e "Spaceship Lullaby" foram os temas mais fortes de uma noite bastante revivalista e com uma acústica de cortar os pulsos. Pequeno Auditório da Casa da Música invadido por uma Arkestra intergaláctica de veteranos, estética solar aliada a um jazz tão frenético quando perdido na Chicago dos anos 50. Volvidos 20 anos, a banda do mítico Sun Ra (1914-1993) merecia melhor acústica. Lamentável para o público que pagou 20 euros e para os músicos que esforçaram-se até ao limite por conquistar a plateira.

Tuesday, May 24, 2005

Gorillaz: o regresso da macacada

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Dias do demónio chegam numa renovação hip-pop que promete novos rumos para a MTV. Os N.E.R.D. que se cuidem, os macacos estão mesmo de volta e reclamam para si um território que lhe pertence por direito próprio. É a lei da selva audiovisual, as vitimas serão inevitavemente sacrificadas nos novos altares do cabo. A cores do imaginário colectivo do público 3G jogam a favor dos Gorillaz, as "playlists" vão na mesma onda e seguem dentro de momentos. O reino da virtualidade digital triunfa em toda a sua extensão e profunidade.

Monday, May 16, 2005

The Nevermet Ensemble: "Quarto Escuro"

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Os músicos nunca se encontraram até o disco estar completamente gravado. Nem sequer se conheciam. Para a formação do Nevermet Ensemble foram disparados convites «às escuras» pela Internet, respondidos com envelopes recheados de sons vindos de desconhecidos da Bélgica, de Espanha, Estados Unidos, França, Itália, e do Japão, para serem misturados num pequeno quarto algures em Lisboa. Conferir em www.rudimentol.com/nevermet.html

Thursday, May 12, 2005

Nine Inch Nails: With Teeth

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O regresso à dentada de um génio. Trent Reznor "is back" "With Teeth". Finalmente um álbum que vale mesmo a pena comprar. Seis anos depois do duplo "Fragile" vale a pena morder a mão que nos alimenta, apesar de fenómenos como Marilyn Manson ou Ministry terem conquistado terreno no metal, o rock ainda vive com peso e perfeição industrial. "All the Love in the World", "The Hand That Feed", "Love Is Not Enough" e "Only" são apenas alguns temas em destaque. "With Teeth" dos Nine Inch Nails é um dos álbuns a ter em atenção este ano.

Monday, May 09, 2005

"The Last Days", de Gus Van Sant

Posted by Hello


Uma das estreias desta semana no Festival de Cannes. Filme que aguardo com enorme expectativa, pois para além de ser um admirador das atmosferas "grunge" e do respectivo legado cultural e simbólico dos Nirvana, considero "Elephant" uma obra-prima. Com o crescente anti-americanismo europeu, nunca é demais relembrar que EUA são muito mais do que Bush, têm uma desconcertante e criativa área semi/independente de produção artística e cultural. Espero que a película chegue a Portugal ainda este verão.

Posted by Hello


Load up on guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's over bored and self assured
Oh no, I know a dirty word


Nirvana.Smells Like Teen Spirit.Nevermind

Blind Zero: "The Night Before and a New Day"

Editado hoje novo registo dos Blind Zero, "The Night Before and a New Day". Provavelmente o melhor disco da banda. Arriscado pela forma como explora várias texturas rock, do stone ao indie, mas coerente e recheado de melodias simplesmente brilhantes. Após "Shine On" cujo vídeo-clip promete fazer estragos, "Day 1" afirma-se como uma das músicas mais inspiradas do colectivo. Ideias chave de uma conversa com Miguel Guedes e Vasco sobre o álbum, registe-se o conceito de ciclo, de intemporalidade e impermanência, não só no alinhamento dos temas, como também na parte gráfica. Registo bem mais optimista que o anterior, o quinto álbum de originais dos BZ é um dos disco a ter em conta este ano. De esperar muitos e bons concertos.

Sunday, May 08, 2005

Pharrell desmente morte do N.E.R.D.

Os N.E.R.D. continuam juntos até prova do contrário. Com o rumor de que o concerto de ontem à noite, no TMN 24 horas, poderia muito bem ser o último na vida do colectivo, Pharrell rapidamente se encarregou de tranquilizar os espiritos dos adolescentes mais angustiados que temiam assistir a um harakiri no palco do Dragão. "Ainda estamos juntos e nunca nos vamos separar", afirmou Pharrell, confirmando-se, ao vivo e a cores, como um génio do marketing. Hora e meia antes, Gabriel, o Pensador, mostrou que continua a raciocinar transatlanticamente e ganhar no verbo o que perde na melodia. No entanto, "Resto do Mundo" mantém-se como uma das letras "rap" mais inspiradas da lingua portuguesa. Após 24 horas sem dormir, festejados os 5 milhões de clientes pela telefónica móvel e a vitória do Penafiel sobre o Benfica, o Dragão pode finalmente descansar em paz e sonhar com outros triunfos. De regresso a última das 24 horas, os N.E.R.D. conseguiram encerrar da melhor forma possível um evento francamente pobre, atraindo uma multidão compacta de adolescentes, que esperavam ansiosamente por ver ao vivo Pharrell Williams. Mais recente ícone da cultura MTV, produtor neptuniano e homem sombra fabricante de "blockbuster" para quase todas as estrelas mais brilhantes do teleuniverso por cabo, de Jay-Z e Buster Rhymes, no rap, Usher e Babyface, no R&B, passando por Britney Spears e Justin Timberlake, na pop, e No Doub, no rock, Pharrell confirmou, ontem no Dragão, ser um génio na arte da ilusão. Depois de cancelar a assinatura para a ressurreição dos N.E.R.D. anunciada ao mundo, em alto e bom som, nos microfones da BBC Radio 1, o compositor soube controlar o primeiro ao último minuto uma legião de fãs, hiponizando toda a geração DVD. Um dos 50 mais cobiçados solteirões o mundo, segundo a People, considerou Portugal como o pais mais sexy do mundo, pediu palmas, telemóveis na mão, ordenou que as pessoas lá do fundo se aproximassem, descem para comprimentar o público. Houve gritos, milhares de fotografias 3D e outros tantos corações partidos. Aos 31 anos, o norte-americano canta em "Fly or Die", das más notas na escola, dos castigos da mamã e do papá que o vão probidir de jogar playstation. Os maiores consumidores de discos, entre os 12 e 16 anos, compreendem os dramas do trintão, choram de emoção em "Maybe" e saltam em "Jump". O produtor do séc.XXI que usou groove/funk para empurrar o rap em direcção ao pop, considerado pela Esquire como um dos homens com mais estilo do mundo, ainda tem muito para ensinar no planeta do entertenimento.

Sobreviver 24 horas TMN no Dragão

Cultura pop das 24 horas TMN no Porto começou com o vocalista do Reamonn a dizer que trouxe os pais até Portugal, por que adora o nosso país, tem miúdas muito giras, e terminou com Pharrell Williams a jurar que os N.E.R.D. afinal não tencionam acabar tão cedo, afastando assim os rumores de um arakiri colectivo no Dragão, um génio do ilusionismo. Pelo meio houve Xutos, revisitação de uma Queima do outro lado da cidade, e uma série de bandas à moda do Porto fracamente interessantes mas, fora das horas de consumo obrigatório. Destaque para MESA que em Setembro vão explodir na cara de toda a gente com "Vitamina" um álbum que se prepara que conquistar o audiovisual português de forma superlativa ("Em Garde" um dos temas a ter em atenção) e os Blind Zero, que amanhã editam novo trabalho, e que tem em "Shine On" e "Day 1" dois singles para históricos. Gostei do espectáculos dos X-Wife Às 07h00 perante uma plateia alucinada, com punks vestidos com t-shirts de Gomo e outros zappings interculturais. Apesar de ousado, o projecto 24horas acabou por sair mal da história, queimado pela queima e por um cartaz "teen", público que ainda não tem idade para grandes noitadas. Proposta de encerramento publicitário teve o Pharrell o artista maior, um mestre do marketing que arrebatou crianças dos 8 aos 15 anos. Para ouvir e chorar por nunca mais.