Wednesday, February 16, 2005

Pedro Mexia, Manuel António Pina e Plaza no TCA

Sugestão para amanhã à noite, dia 17, episódio "Óculos Azuis, Mundo Azul" das Quintas de Leitura, no Teatro do Campo Alegre, no Porto. Poesia de Pedro Mexia pelas vozes de Filipa Leal, Náná Menezes e Pedro Lamares; Manuel António Pina à conversa com o escritor e numa segunda parte descarga pop a cargo dos Plaza. Ponto de encontro café-teatro do TCA, na rua de todas as estrelas, a partir das 21h30...

Wednesday, February 09, 2005

Carnaval Tóxico com Peste & Sida no Porto Rio


Peste & Sida no Porto Rio - foto: Luís Costa Carvalho Posted by Hello

Os punks e o pessoal do pontapé aproveitaram a noite de carnaval para sair à rua. Ainda bem. A bordo do Porto Rio, os Peste & Sida foram os homens do leme ao serviço do rock etílico. Noite de emoções e cheiros fortes. Entre doses de "Veneno" de outros tempos e descargas moderadas e competentes do mais recente álbum, a banda lisboeta agora liderada por João San Payo protagonizou um excelente concerto, seguro, energético, inclusivo, animando a muita malta presente, que ameaçou ontem à noite transformar o Porto Rio numa espécie de mini-Rock Rendez-Vous, numa verdadeiro "punk in rio douro". Banda fundamental para compreender o eixo mais criativo do punk/rock português na segunda metade da década de 80, os Peste&Sida reaparecem agora 12 anos volvidos sobre "Eles Andam por Aí. Sem Luís Varatojo, o projecto afasta-se da pulsão comercial do sol da caparica e dos Ramones e reactualiza-se. Apesar da ainda viver "ao vivo" das excelentes memórias do passado, oferecendo clássicos como "Veneno", "Gingão", "Vamos ao Trabalho", "Alcides Pinto" ou "Paulinha", provavelmente o mais romantica "love song" lusa, os Peste fazem falta ao panorama musical português. Em "Tóxico", para além da excelente colaboração de José Mário Branco, na inteligente versão da "Década de Salomé", de Zeca Afonso, o registo aposta numa mistura explosiva de literatura de intervenção com uma sonoridade punk e argumentos funk/ska, que sempre marcaram a identidade dos Peste. Num espectáculo de união entre a tradição e inovação, os Peste protagonizaram um excelente concerto que terminou com uma sempre bem-vinda invasão de palco. Faltaram, no entanto, os metais, mas sobrou a vontade de tocar até cair. Recorde-se que já na próxima sexta, dia 11, o colectivo assalta o Hard Club, em Gaia, numa noite, também ela, de emoções e cheiros fortes. Em 2005, provavelmente, mais do que nunca, vale a pena ouvir Peste e não passar para o outro lado da trincheira... Nunca conversa que tive com Sn Payo no ano passado, tive a oportunidade de atestar a alegria do colectivo.. não alinhados e prontos para regressar ao re/activo. Depois do concerto de ontem à noite, só me resta dizer, bem-vindos...

Sunday, February 06, 2005


A Prisioneira de Lhasa Posted by Hello

A Prisioneira de Lhasa

A Prisioneira de Lhasa livro de Daniel Laeng e Philippe Broussard
“Ao cabo da primeira semana, a pequena foi submetida a, pelo menos, três interrogatórios diários. Os seus onze anos eram indiferentes; bem pelo contrário, os guardas pretendiam humilhá-la, marcá-la para a vida, precisamente porque ela era jovem, ainda «recuperável», pelo menos em teoria. Como explicar de outra forma o seu furor? Espancada com latas de conserva, desancada com a ajuda de bastões eléctricos...”(p.94)
Philippe Broussard (jornalista no “Le Monde”) e Danielle Laeng (representante do Comité de Apoio ao Povo Tibetano) uniram esforços na elaboração da biografia de Ngawang Sangdrol, símbolo de resistência no Tibete.
Numa época em que Portugal vive um auge de compaixão pelo povo asiático, penso ser muito relevante a leitura deste livro como forma de consciencialização para outros sofrimentos, não mais pequenos, vivenciados nesse mesmo continente. Anexado pela China há mais de quarenta anos, o Tibete continua a ser vítima de uma política de anexação centrada sobretudo na força de um poder e autoritarismo tolerados pelo mundo ocidental que prefere a não interferência na política interna de uma grande potência económica. Refugiados no norte da Índia, a maior parte de comunidade tibetana luta, no exílio, pela sobrevivência da sua cultura que tem como traço principal o pacifismo e como base religiosa a compaixão por todos os seres. A Prisioneira de Lhasa relata a vida de uma monja budista feita prisioneira pelas autoridades chinesas por defender os direitos de um povo ameaçado de extinção: o povo tibetano.

Filmes da minha vida: "A Festa", de Thomas Vinterberg


"A Festa" de Thomas Vinterberg Posted by Hello

Saudades de ver bom cinema. Não é todos os dias que, terminado o filme, o público não se consegue levantar das cadeiras e permanece sentado e silencioso a ler os créditos... Uma das mais interessantes experiências cinematográficas que tive a oportunidade assistir, aqui no Nun´Álvares, já lá vão uns anitos...

Saturday, February 05, 2005

Hipocrisia política sobre a candidatura galaico-portuguesa à UNESCO:

Pela primeira vez, dois países da União Europeia apresentam uma candidatura conjunta à UNESCO. Portugal e Galiza pretendem unir esforços para verem a cultura comum ser reconhecida pela organização intergovernamental como Património Imaterial da Humanidade. Entregue à UNESCO em Outubro do ano passado, o projecto foi apresentado oficialmente ao público ontem no edifício da Alfandega, no Porto, numa operação de charme, a roçar o ridículo, em busca de apoios privados. Promovida, entre outras instituições, pela Comunidade de Trabalho Galiza - Norte de Portugal, a operação conheceu no Ministro das Cidades, José Luís Arnaut, e no presidente do Governo Antónomo da Galiza, Manuel Fraga Iribarne as figuras centrais do evento, que contou ainda com a presença do autarca do Porto, Rui Rio.
Foram repetidos de forma o mais genérica e superficial possível os aspectos mais importantes da cultura galaico-portuguesa, dos cantares às danças, da base linguística ao artesanato. A ideia é preservar e difundir uma cultura que se encontra em vias de extinção. No meu entender, antes de apelarem à UNESCO, os governantes deveriam ter alguma vergonha pelo trabalho que não têm desenvolvido nesta matéria. A começar pelo governo português que, a título de exemplo, este ano, através do Ministério da Cultura, decretou a morte, retirando o apoio habitual, ao Centro de Música Tradicional Sons da Terra, que funciona desde Setembro de 2000 em Sendim, concelho de Miranda do Douro, e que possui, entre outras valências, o maior acervo áudio de música, cantares e histórias tradicionais desta região. Este é apenas um dos muitos exemplos possíveis que revelam a importância que o governo português atribui à cultura do norte de Portugal. Em termos locais, é quase uma piada de mau gosto, encontrar Rui Rio numa cerimónia de promoção cultural. O Porto, que deveria ser a primeira cidade a fomentar a cultura da sua região, sob a presidência de Rio, tem organizado festas culturalmente tão típicas e relevantes como a do próximo baile de carnaval protagonizado pelo grupo Diapasão, naturalmente com o aval da Rádio Festival, uma ligação mais do que obscura que em breve será posta nu.
Da parte da Galiza, basta referir que o presidente desta região autónoma, Manuel Fraga Iribarne, tem tanto gosto em preservar e difundir a cultura da sua terra, que ontem, discursou em castelhano. No final da cerimónia e com muita razão, um grupo de professores galegos, a leccionar em Pontevedra, manifestou-se indignado com o facto do presidente da Galiza ter discursado em Castelhano e não na língua galega. Conversei com uma das professoras que nem queria acreditar no que tinha ouvido. "Estamos profundamente chocados com isto. Sinceramente - disse Carmen Souto Negrete - este senhor não nos representa. Viajámos várias horas para assistir a uma cerimónia de apresentação o promoção de uma cultura que tem como uma das bases a língua e se candidata a património da humanidade e ouvir falar o presidente da Galiza a falar em castelhano é no mínimo uma contradição e um escândalo".
Naturalmente, quando a UNESCO sair para o terreno, irá verificar como é que se encontram as estruturas culturais do nordeste transmontano, no Minho e na Galiza, e meterá a candidatura na gaveta, sem antes dizer aos responsáveis para terem alguma vergonha na cara, pois antes de se candidatarem a património da humanidade, devem ser os próprios a considerarem a sua cultura como um património e fazerem algum esforço para a preservar...

Friday, February 04, 2005

Arte Comunitária: projecto Circunvalação

Confrontar criadores estrangeiros com comunidades da área metropolitama do Porto, pouco habituadas à fruição cultural, numa produção conjunta de propostas artísticas contemporâneas oferece-se como o eixo central da iniciativa "Circunvalação" que foi apresentada na passada quinta-feira aqui no Porto. Tive a oportunidade de assistir ao arranque do evento e conversar com organizadores, artistas e representantes das comunidades escolhidas. O projecto merece destaque e espaço de divulgação, daí a presente "post" que recupera no essencial um trabalho publicado por mim no diário "O Comércio do Porto".
Organizado e produzido pela Cassiopeia, a ideia do evento recupera o conceito de Arte Comunitária nascido no contexto artístico inglês, na transição das décadas de 60/70, reactualizando-o com o fenómeno da imigração. As freguesias e bairros de Avintes (Vila Nova de Gaia), Gandra (Gondomar) e Lomba (Bonfim/Porto), acolhem, até dia 20, três artistas estrangeiros: Farida Batool, do Paquistão, Luís Pedro, de Moçambique, e Taras Polataiko, da Ucrânia, respectivamente. O desafio é produzirem em conjunto, artistas e comunidade, arte inspirada e projectada sobre a identidade e o espaço próprio de acolhimento.
Paralelamente, o projecto "Circunvalação" dinamiza, nas referidas comunidades, oficinas de vídeo dirigidas a crianças, orientadas pelos cineastas Tiago Afonso, Saguenail e Regina Guimarães. O resultado final dos trabalhos das oficinas será exibido no auditório da Fundação de Serralves nos dias 19 de Março e 18 de Junho.
Com apoios essenciais do Instituto das Artes (IA), Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) e Gaianima, entre outras instituições públicas, o projecto de inclusão social através da criação e formação artística apresenta um orçamento de 70 mil euros.
Avintes "bottled"
Acolhido e apoiado desde a primeira hora pelo Parque Biológico de Gaia e pela Gaianima, a iniciativa de intervenção social através da arte conhece em Avintes um primeiro ponto de paragem rumo à criatividade. Convidada a "olhar" artisticamente para a freguesia gaiense, Farida Batool propõe-se apresentar duas intenções artísticas inspiradas não só na geografia própria de Avintes, como tambem, no encontro com as histórias e a identidade colectiva da comunidade local.
Numa primeira aposta, e aproveitando a margem esquerda do Rio Febros, afluente do Douro, a artista paquistanesa irá colocar fotografias da população dentro de garrafas suspensas sobre a paisagem fluvial. "A ideia é num contexto imagético unir conceitos de memória e história na natureza envolvente", afirma Battol, que se encontra a visitar as habitações e a conhecer os rostos da população de Avintes. "Tem sido uma experiência interessante - afirma - as pessoas têm-se mostrado extremamente receptivas".
Num segundo trabalho, a artista irá construir uma moldura-móvel, de 5x3 metros, na qual apresentará pinturas das histórias do povo de Avintes. A estrutura irá circular por toda a freguesia, confrontando a população com a sua história.
Da Gaianima, Nelson Cardoso, adminstrador da empresa municipal, presente na apresentação do projecto, fez questão de realçar a importância do evento pelo envolvimento da população na produção e formação artística, lamentanto porém que o projecto não tenha sido acolhido por todas as autarquias da área metropolitana.
Gandra em retratos
Em Gondomar, apesar da autarquia não ter apoiado o projecto, a Associação de Moradores de Conjunto Habitacional de Gandra fez questão de abrir as portas à arte e acolher a iniciativa. O presidente da referida associação, Altamiro Araújo, esclarece: "A arte não é só para os ricos, nós também temos direito a aprender qualquer coisa. As crianças nas oficinas de vídeo, para além de aumentarem os seus conhecimentos, mantêm-se ocupadas e longe de problemas".
Luís Pedro, o artista moçambicano de serviço, prepara uma exposição-instalação de fotografias no local que será a futura sede da associação de moradores. "Para já ando a conhecer os sítios e as pessoas. Não quero adiantar muito sobre o trabalho - afirma - mas terá como base a fotografia e o retrato".
Lomba em labirintos
Última paragem da "Circunvalação", bairro da Lomba, na freguesia portuense do Bonfim. Iniciativa apoiada localmente, entre outras, pela Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto e pela Associação de Moradores da Lomba, a intervenção acolhe como artista residente, Taras Polataiko, da Ucrânia. Fascinado pela geometria e arquitectura das casas do bairro, Polataiko prepara-se para produzir, em material inquebrável, um labirinto. A instalação "que deve ter uma componente prática, podendo ser utilizada pelas crianças, representa a própria arquitectura das casas e a disposição geométrica do bairro", afirma o artista.
A orientar as visitas do novo morador pelo bairro, o presidente da associação local confessou que a população tem recebido o artista com tanto entusiasmo que "até já tem um clube de fãs".
As três propostas encontram-se em desenvolvimento, em construção e abertas a visitas. A conclusão das obras está agendada para o próximo dia 20. Até lá, artistas e população trabalham em conjunto num processo criativo rumo à integração e valorização socio-cultural.

Sunday, January 30, 2005


heroi
Originally uploaded by oviciodaarte.

"O Herói" português triunfa em Sundance

É a primeira vitória portuguesa em Sundance. A proposta “O Herói”, de Zézé Gamboa, co-produzida entre Portugal, França e Angola, conquistou, ontem, o recém criado “World Cinema Dramatic Jury Prize”, prémio reservado ao melhor filme dramático estrangeiro. A narrativa da longa-metragem gira em torno da figura de Vitorino, um jovem guerrilheiro que regressa à capital angolana para, em tempos de paz, tentar refazer uma vida desfeita pela guerra civil. Depois de viver 15 anos num cenário de violência, com uma mina a custar-lhe uma perna, o regresso a casa transforma-se noutra batalha pela sobrevivência, num contexto de desestruturação social, marcado pelo desemprego e pela corrupção generalizada. Estreado em Portugal, no ano passado, o filme não conheceu o êxito de bilheteira, tendo passado completamente ao lado do grande público consumidor de cinema. As estatísticas do ICAM dão ao “Herói” cerca de 300 espectadores nas duas semanas de exibição no circuito comercial português. No entanto, Zézé Gamboa afirmou à RTP que o seu filme conheceu valores de assistência muito próximos das 5 mil presenças, contando, desde logo, com antestreias e sessões especiais. Colocando de lado a guerra de números, no Fantasporto no ano passado, o filme foi recebido com apatia e relativo desinteresse. Com argumento de Carla Baptista e produção de Fernando Vendrel, “O Herói” é a terceira proposta cinematográfica dirigida por Gamboa. O realizador angolado estreou-se na sétima arte com a direcção de ”Dissidência”, em 1999, avançando depois para “Desassossego de Pessoa”, em 2001.

Friday, January 28, 2005

"O Quinto Império" de Manoel de Oliveira

Após a antestreia mundial no Festival de Veneza, em Setembro último, com Manoel de Oliveira a receber o Leão Douro, por uma vida dedicada ao cinema, Portugal conheceu ontem a entrada em cena d´"O Quinto Império - Ontem como Hoje". Já tive a oportunidade de ver o filme e, tal como tinha prometido aqui no VA, após uma breve conversa com Oliveira e respectivo "post", o filme merece uma reflexão pela temática que sugere e pela atitude simbólica que encerra. Mantendo a ligação história-literatura-memória, basilar na cinematografia de Oliveira, o realizador apropria-se da peça teatral "El Rei D. Sabastião", de José Régio, propondo uma releitura e confronto com a geopolítica do mundo actual, tendo a União Europeia, o terrorismo de islâmico e a guerra norte-americana como principais fantasmas. Em comum, ontem como hoje, emerge o sonho imperialista das grandes potências, os conflitos religiosos, a
supremacia político-ecnomónica do hemisfério Norte, a democracia dos países ditos desenvolvidos imposta e defendida pelo poder bélico. Em Veneza, houve mesmo, entre a assistência, quem visse o filme de Oliveira como uma crítica anti-Bush.
Mais urgente pela actualidade das questes que levanta do que surpreendente pela estética ou narrativa que apresenta, "O Quinto Império" não é o melhor de Oliveira, no entanto, é um filme de sugestão, de pensamento, de solidez inabalável. É na penumbra do sonho sem concretização possível, é no território da utopia, entre o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, que Oliveira filma um D. Sebastião (interpretado pelo neto Ricardo Trêpa) em constante equilíbrio entre o rei louco,obcecado com a expansão do império, desejoso por cumprir Portugal, e o santo/martir predestinado por Deus a espalhar a cristandade. Da visita ao túmulo de D. João II à dramaticidade profética do Sapateiro Santo (Luís Miguel Cintra) passando pela obsessão simbólica da espada de D. Afonso Henriques lançada ao ar, num voo premonitório de uma queda inevitável, num dos melhores planos de todo o filme, "O
Quinto Império" surge na filmografia de Oliveira como um "manifesto" inteligente e conservador sobre incapacidade da alma humana em se transcender na diferença cultural, política e religiosa do outro.

Wednesday, January 26, 2005


Dia Maior Posted by Hello

"Dia Maior", de Né Barros, no TeCA

Uma das coreógrafas mais interessantes do panorama nacional de dança contemporânea, Né Barros regressa amanhã, quinta-feira, ao TeCA com mais uma proposta a não perder. Sobre "Dia Maior" já tive a oportunidade, à convite da própria para o TNSJ e por sugestão editorial para "O Comércio do Porto", de expressar por duas vezes a minha leitura sobre o projecto. Observei o espectáculo em dois contextos diferentes, a criatividade, ousadia e profundidade das questões Né Barros levanta continuam a seduzir-me profundamente e a cativar-me pela sua inteligência na abordagem do universo semiótico e relacional do corpo. Depois do desconcertante "Vaga", que para além de ter absorvido grande parte das referências cinematográficas, de Lynch a Cronenberg, que povoam o meu imaginário, levantou-me uma série de questões tão pertinentes quanto inquietantes sobre as extensões autónomas da memória genética do corpo, com o uso, inteligente, das "mala-monitor" e com um conjunto de construções coreográficas cativantes e coerentes, em "Dia Maior" a experimentação, o abandono viagiado, a fuga para as sombras do tempo produziram um espectáculo mais orgânico, conduzindo a problemática das relações inter/corporais, espacio/temporais e de comunicabilidade/identidade por territórios provocantes, sedutores e inquietantes. Na sua quinta colaboraçã com N+e Barros, Alexandre Soares sobe ao palco, contagiando, desde o nascimento até à morte, o mais recente trabalho de Né. Apesar de manter a referências que lhe são quase genéticas da sétimas arte, tão bem expressas na obras de Canijo, o guitarrista dos TTT alimenta movimentos de ruptura com o preconcebido, protagonizando sobreconstruções arrepiantes, surpreendendo pelo dinamismo e criatividade do "live act" apontado em várias direcções do abstrato, outro território que me atrai bastante. "Dia Maior" resulta de vários dias menores em perpétua reconstrução, interiores/exteriores, plurais e unos, dilatados e comprimidos, em micro-narrativas do acordar solitário, do conflito do corpo enquanto objecto de um desejo, símbolo, emissor de signos, à epifania do Outro, enquanto possibilidade última de salvação na descoberta da identidade na comunicação, na transcendência, na metafisicalidade. Proposta a não perder, "Dia Maior" inaugura a amanhã a programação 2005 do TeCA. Dança contemporânea no seu melhor nível no Teatro Carlos Alberto, do Porto, até sábado às 21h30.

Monday, January 24, 2005

"AMI Pela Ásia": O poder extraordinário da Solidariedade

Ainda estou a ressacar a experiência verdadeiramente singular do concerto "AMI pela Ásia", do passado sábado à noite, no Coliseu do Porto. Para além do evento ter reunido um "best of" da música feita em Portugal, o que mais me impressionou foi o facto do público ter interiorizado, sem recurso a sensacionalismos baratos, o poder da solidariedade e a alegria interior de ajudar os outros. Sentiu-se uma harmonia entre público e bandas absolutamente única, autêntica e invulgarmente emocionante. O prazer de oferecer, de dar sem exigir nada em troca foi, de facto, o elemento essencial que catalizou uma energia superpositiva que fez vibrar o Coliseu do Porto. Hoje falava com a Isabel Martinho, da AMIarte, sobre uma entrevista que deu a uma colega minha de um jornal e perguntei-lhe o que tinha dito, o que é que a marcou mais na noite de sábado, a resposta foi desconcertante: "o facto das crianças e adolescentes que foram ao concerto terem sentido, algumas se calhar pela primeira vez, a alegria de ser-se solidário. Espero que esse sentimento seja marcante nas suas vidas que os torne adultos mais sensíveis às necessidades dos outros". Acredito sinceramente nesse carácter pedagógico do evento, que não nasceu dos discursos, nem dos choradinhos, mas da prática da alegria experiênciada de dar, do poder extraodinário da solidariedade, da partilha. Espero sinceramente que a AMI organize todos os anos um concerto dentro deste formato, para uma causa específica, para um público dos 8 aos 80. Motivos não faltam. Basta recordar que o número de crianças que morrem à fome equivale a um tsunami de cinco em cinco dias. Para além da crueldade e abstração por detrás das estatísticas, ao salvar uma vida estamos, de facto, a salvar um mundo. Obrigado AMI e Porto. Emocionei-me bastante com as boas vibrações do Coliseu.

Saturday, January 22, 2005


Cartaz "AMI Pela Ásia" Posted by Hello

Concerto: AMI pela Ásia no Coliseu do Porto

Grande noite hoje no Coliseu do Porto. Xutos, The Gift, Clã, Mesa entre muitos outros juntam-se logo a partir das 21h00, no Coliseu do Porto, para o megaconcerto "AMI pela Ásia". Naturalmente, lá estarei, não só pela causa e conceito arte-solidária, mas também pelo som e pela amizade que me une as várias pessoas que organizam o evento, em especial à Isabel Martinho, a incansável mentora e produtora de grande parte da iniciativa. A alma anónima por detrás do projecto. Últimas novidades antes do espectáculo: Álvaro Costa será o animador de serviço com Cátia Sul no apoio VJ. Logo à tarde a partir das 18h00, Xutos, Mesa e Fingertips passam pela Fnac de Sta. Catarina para uma maratona preparatória, em formato "show-case", com sessões de autógrafos pelo meio. Após o concerto no Coliseu, "after-party" de descompressão no ACT. Fica o convite. Apareçam...

Friday, January 21, 2005


Casa da Música Posted by Hello

Programa da Casa da Música: "Ritual do lo habitual"

Se a presença respeitável do veterano Lou Reed não espantou ninguém, o que dizer da inclusão dos Xutos e Pontapés e Pedro Abrunhosa no programa de abertura da Casa da Música, agendado de 14 a 24 de Abril. Soa, naturalmente, a uma união de facto entre Queima das Fitas e Porto Sound, sobretudo quando os responsáveis apresentam o cartaz como sendo de nível europeu. Segue-se um concerto de Gala, com a Orquestra Nacional do Porto a interpretar "Fanfarra" dirigida pelo maestro António Vitorino e o pianista Alfred Brendel a revisitar Mozart, Shumann, Schubert e Beethoven. Uma desilusão no mínimo ou será que a Europa começa na VCI e termina na Ribeira?

Música: Vítor Rua no TCA

Para os leitores mais atentos esta chamada de atenção na surpreende, visto que considerei, para espanto de algumas tribos, o concerto do Vítor Rua, no Contagiarte, como o melhor momento "live" de 2004. Para quem não teve a oportunidade de assistir ao referido espectáculo fica a recomendação de logo à noite ir até ao Teatro do Campo Alegre, onde o guitarrista subirá novamente a "Caravan". Registe-se que o concerto insere-se no 2º e inesperado Encontro Internacional de Poesia e Performance do Porto - "Em Voz Alta", evento comissariado por Rosa Alice Branco, com as participações de Alberto Pimenta, Ana Hatherly, Rodolfo Hasler, Valter Hugo Mãe e Dead Combo, entre outros.

Dança Contemporânea: "Em Resumo" no Rivoli

A primeira certamente de poucas propostas de dança contemporânea a subir ao palco do do Rivoli. Projecto "Em Resumo" conhece hoje à noite uma única apresentação no Grande Auditório. Fui espreitar parte do ensaio e fiquei com boas indicações. O trabalho lança uma série de pistas de reflexão sobre o corpo enquanto objecto, matéria, utensílio do processo criativo, que me pareceram interessantes, apesar de carecerem de desenvolvimento e alguma criatividade. A concepção e direcção artística é da responsabilidade de Joclécio Azevedo, jovem natural do Brasil, formado no Balleteatro, com grande parte do seu trabalho desenvolvido no Porto, com algumas residências no estrangeiro, a última das quais no Laban de Londres. Dividido em duas partes, a proposta apresenta primeiramente uma reflexão centrada no carácter utilitário do corpo, recorrente dos ambientes marcadamente performativos da obra Joclécio, para depois avançar para um segundo momento de desconstrução de narrativas, procurando oferecer ao espectador uma obra aberta com várias leituras interpretativas.

Thursday, January 20, 2005


Eugénio de Andrade Posted by Hello