Friday, April 15, 2005

Lou/Cura na Casa da Música


Lou Reed na Casa da Música, foto: Ricardo Meireles, CP Posted by Hello

"Lou Reed chegou, viu e gostou: "Que bela sala vocês têm aqui". O rock poético e intimista do co-fundador dos históricos Velvet Underground foi a banda sonora perfeita para a primeira de mil e uma noites de música tocada pela primeira vez bem no coração do empolgante edifício em forma de diamante. As boas vindas foram dadas pela brilhante prata da casa. Manuela Azevedo chamou a si todas as atenções e os Clã abriram caminho para uma festa que culminou na serenata negra do homem de Nova Iorque. Depois de atravessar o Atlântico, Reed iniciou no Porto a digressão europeia. Calmo, intimista, energético, arrebatador.
Seis anos após a primeira pedra, a Casa da Música abriu-se ao "NY Man". Reed revisitou alguns dos momentos mais criativos da sua já longa carreira. Co-fundador de um projecto fundamental para compreender a inteligente e tóxica revolução do rock a partir da "pop art" da grande maçã, Reed deu música a uma Casa há muito sedenta de melodias de encantar. Entre dias perfeitos e memórias de uma "Big Apple" fora de horas, o dramaturgo, fotógrafo, poeta e compositor recordou ambiente negros e góticos de Allen Poe. Convocou o público para uma celebração íntima. Em crescendo leva-o para onde o rock é inteligência. O auditório revibrou, perante as cortinas acústicas descidas.
A abrir a noite, no palco principal da Casa da Música, Manuela Azevedo e os Clã apresentaram-se entre luzes rosa. Plena de poder telegénico, a vocalista da banda serviu o novo espectáculo projectado para 2005 baseado no criativo "Rosa Carne".
Entre doses suaves e literárias de veneno caseiro, a líder do colectivo vilacondense manifestou-se comovida. "Foi uma grande honra para nós, sermos os primeiros a pisar o palco desta casa. Parabéns ao Porto e a Portugal por terem uma bonita Casa da Música", afirmou a sedutora e talentosa voz dos cativante Clã.
Concerto mais do que competente, mexido, emotivo e recheado de pontos altos e de interesses sonoros, deixando adivinhar um 2005 recheado de bom momentos para o grupo.
Uma noite de catarse, de festa e de reconciliação de uma cidade para com uma Casa que teimava em não nascer. Público jovem, dentro e fora do auditório, olhares sequiosos a devorar todos os ângulos possíveis e imaginários do agora menos bruto e mais amigável diamante.
Segue-se mais música por que a Casa, essa, já abriu."
in CP, Anastácio Neto, Luísa Marinho e Salomé Castro

Thursday, April 14, 2005

As exigências de Lou Reed

É a diferença de quatro décadas, se estivesse em nova-iorque no final dos anos 60 possivelmente não teria tantas manias, na verdade o boato que habita alguns corredores da "house" é o de que, para além de uma série e exigências próprias de uma "popstar", champagne, vinho do douro e nozes descascadas, Lou Reed queria três dias para preparar o "show" de logo à noite, na Casa da Música. O espectáculo esteve por um fio. Para além dos Clã terem de tocar às 21h00, durante apenas uma hora, por que o senhor das serenatas tem e ir cedo para a cama, é uma questão de idade, pois claro, ficar três dias com a Casa da Música para testar o som e luz parece-me um pouco exagerado. Acredito que as "tomorrow's parties" possam ser bem melhores, visto que no passado as coisas eram bem mais simples, o senhor Lou sabe-o muito bem. É sabido que na Europa, as estrelas têm outro brilho, mas há que ter alguma vergonha e já agora uma dose de bom senso, pois cá em casa também há bons artistas, sem tantas peneiras ou exigências... para quem caminhou nos "wild sides" há coisas que bem podiam ficar no outro lado da boulevard ou na outra margem do Atlântico.

Clã servem "Rosa Carne" na abertura da Casa da Música

Em conversa com Manuela Azevedo, a vocalista dos Clã confessou-se entusiasmada por ser a primeira a pisar o palco da Casa da Música. Logo à noite, os fãs de Rosa Carne terão a oportunidade de conhecer em primeira mão o novo alinhamento da versão 05 do álbum que em posts anteriores considerei o melhor do ano passado. Gostei, sinceramente da conversa, tive a oportunidade de sentir a inteligência de uma das melhores vozes da pop nacional. Depois de elogiar o serviço educativo, Manuela Azevedo não se deixou deslumbrar. "Espero que a Casa da Música não se torne uma simples sala de espectáculos e seja um verdadeiro laboratório para os músicos". Estava naturalmente a falar de estúdios de gravação, salas de ensaío e espaços de experimentação. Abrir a noite para um grande nome da música mundial para os Clã não é uma palmadinha nas costas mas antes o mais do que merecido reconhecimento. São uma das mais criativas, talentosas e superlativas bandas nacionais. uma prova viva que muitas vezes os venenos caseiros são melhores, mais naturais e muito eficazes.

Banda sonora reactualizada com Velvet Underground e Iggy Pop

No dia em que a Casa da Música abre as portas, a Banda Sonora reactualiza-se, oferecendo Iggy Pop & The Stooges e Velvet Underground.

Tuesday, April 12, 2005

Artigo da semana: "Os Cruzados"


Ilustração de Ed Sorel, "Rolling Stone" Posted by Hello

Artigo interessantíssimo de Bob Moser sobre a forma como a religião está a moldar a política externa norte-americana e a reescrever a história do EUA. O poder da "christian nation" no regresso de Bush à Casa Branca e muito mais. Um cocktail de "religion & politics" muito próximo das ementas de certos países árabes. Conferir na Rolling Stone

Monday, April 11, 2005

Ainda acredito na Casa da Música

Volvidos seis anos de construção, seis ministros da Cultura, cinco adminstradores, quatro primeiro-ministros, três presidentes de câmara e outros tantos vereadores da Cultura, ainda creio no projecto Casa da Música. Nunca alinhei nas teorias da conspiração dos "media", nem nas manias da perseguição mais ou menos institucionais. Lembro-me da polémica em torno do CCB, de como os meios de comunicação social souberam explorar as falhas do empreendimento e do sistema. Actualmente, a programação do CCB alimenta pseudo-programas de cultura nos três canais abertos. A história repete-se com a Casa da Música, espero que o sucesso também, e que, juntamente com Serralves, transforme o Porto num, há muito adidado, apetecível destino das rotas de turismo cultural.

Friday, April 08, 2005

Siza regressa a Serralves

Siza entra na galeria central de Serralves. Vira costas à janela gigante, contempla o interior do projecto que o ocupou durante praticamente toda a década de 90 e diz aos jornalistas: "Muitas pessoas olham para aqui e vêem quatro paredes pintadas de branco e pensam que é simples, só quatro paredes pintadas de branco. Não imaginam o esforço, as horas de trabalho que foram necessárias para atingir esta simplicidade, para ocultar todos os aparelhos de ar condicionado e tubagens". Eleva o olhar. Apercebe-se da presença de uma câmara de vigilância no canto da galeria. "Bem agora tem aquilo", aponta. "Enfim, tem mesmo de ser. São as seguradoras", justifica, semi-resignado.
No final da apresentação da exposição "Siza: Museus e Espaços", que hoje inaugura em Serralves, falei com o arquitecto. Entre outras coisas, disse-lhe que senti um carácter algo incestuoso em expor 18 projectos da sua autoria sobre museus precisamente em Serralves. Sorriu. Disse-me que não considera os seus trabalhos como filhos. "Quando são entregues ao dono, deixam de me pertencer".
Durante o próximo trimestre, o gabinete de arquitectura de Álvaro Siza muda-se para Serralves. Existe algo de pedagógico e altamente comercial na programação. Os alunos transformam-se em visitantes e o museu em universidade, numa homenagem inédita da criatura ao seu criador. Figura pop, Siza, humilde, genial, aproxima-se das massas. Serralves acolhe o seu guru e aposta no marketing, vende copos e cadernos. A arte alimenta-se de si própria, num sacrifício entre o redentor e o obsceno.

Thursday, April 07, 2005

Banda Sonora finalmente disponível


Yeah, Yeah, Yeahs Posted by Hello
Já se encontra disponível a primeira descarga da Banda Sonora aqui no "Vício". Dose inaugural a "clickar" na coluna lateral, em formato de trio de ataque, recupera "London Calling", dos Clash, "Maps", dos Yeah Yeah Yeahs, e "Little Sister" dos Queens of the Stone Age. A actualização dos temas será semanal. Boas trips...

Projecto "A Cause" em gestação

É mais recente novidade da AMIarte, aqui do Porto. Depois do inesquecível concerto no Coliseu "AMI pela Ásia", encontra-se em gestação o projecto "A Cause". Trata-se de uma excelente colheita de nomes históricos e novos valores da música feita em Portugal que ainda este mês se prepara para entrar nos estúdios da Numérica, em Paços de Brandão, e gravar um single cujas vendas reverterão a favor da missão da AMI na Ásia. Entre os convidados estão personalidades como Rui Reininho, com quem já conversei sobre o projecto e que me confessou estar completamente "in", Rui Veloso, Kalú (Xutos & Pontapés), André Indiana, Mónica Ferraz (Mesa), André Guedes (Blind Zero), Manuela Azevedo (Clã), entre mais de dezena e meia de convidados. O tema original intitula-se "Bring Back the Sun", da autoria de Andy Torrence, e, no single, virá deviamente acompanhado de vídeo-clip e extras das gravações. Espero que o projecto vá prá frente pois acredito sinceramente no trabalho que a AMI está a desenvolver no Sri Lanka. Enquanto o embaixador se decidia se devia ou não terminar as férias já a equipe de médicos portugueses da AMI se encontrava no local a prestar auxílio às vítimas do tsunami. Agora, mesmo com as luzes da aldeia global da informação voltadas para outras paragens, a AMI e o seu pessoal continuam na zona de calamidade, querendo alargar o auxílio por pelo menos três anos. A humanidade agradece. É a diferença clara entre trabalhar a sério para mudar algo ou simplesmente aparecer no momento conveniente para ficar a fotografia.

Sunday, April 03, 2005

Pensamentos sobre morte e apego


"Death of Marat II", Edvard Munch, 1907 Posted by Hello
A pessoa que mais amo no mundo perdeu recentemente o pai. Há 16 dias precisamente. A perda e o luto são, estão a ser, naturalmente, violentíssimos. Ao tentar, toscamente, ser farol e abrigo em noites de tempestade negras e frias, frequentemente penso no meu próprio pai. Como, apesar dos seus 69 anos e dos mais de 300 quilómetros que nos separam, ainda o contemplo com o ser imortal e omnipresente. Como mais tarde ou mais cedo irei inevitavelmente passar pelo mesmo processo e sentir uma dor assim de forte, de insana, de arrebatadora. Há dias li um texto budista que versava sobre a impermanência. "Todos os encontros acabam inevitavelmente em separações". Frase tão pragmática como autêntica. Na verdade, começamos a morrer no dia em que nascemos. As lágrimas que choramos não são pela pessoa amada que partiu, mas sim por nós próprios, pelo facto de perdermos a presença física de alguém que julgávamos que nos pertencia. Quanto mais cedo tomar consciência da impermanência de tudo o que me rodeia, mais depressa me aproximo do verdadeiro conhecimento dos fenómenos e de uma felicidade inabalável e independente dos factores externos. O problema é que sinto que ainda não dei o primeiro passo, que se perdesse o meu pai, apesar de todo o tempo e distância que nos separa, tenho a certeza que iria achar a maior injustiça do mundo se abateu sobre mim, sentir uma dor insuportável e chorar noites longas, negras e frias de uma solidão imensa...

Saturday, April 02, 2005

Vertigem do dia das mentiras na origem da notícia de Bono

Em verdade, a "vox" nem as "persona" de Bono não estão "in the house", nem vêm dar Música no dia 13 ao Porto. Trata-se da inverdade do dia das mentiras, publicada e seleccionada com muita originalidade ontem pel´ "O Comercio do Porto" e assistida legalmente pela tradição secular do dia 1 de Abril.
Tão inverosímil quanto atómica, a "falsa" notícia necessita hoje de ser devidamente desmantelada, não tendo deixa de causar alguns efeitos secundários no seio da comunidade melómana. À procura de um bilhete para assistir ao espectáculo do líder dos U2, muitos fãs da banda irlandesa decidiram conferir a "nova" e telefonar para a Casa da Música. Uma das mentiras mais interessantes publicadas ontem pelos "media", à qual não resisti em reproduzir aqui no "Vício".

Friday, April 01, 2005

Bono Vox traz êxitos dos U2 ao palco da Casa da Música no dia 13 de Abril


D.R. Posted by Hello
A anunciada surpresa que a Casa da Música há muito guardava na manga para a tão esperada abertura ao público foi ontem, finalmente, desvendada. Bono Vox, vocalista dos U2, vai estrear o grande auditório no próximo dia 13 de Abril, num concerto em que será acompanhado pela Orquestra Nacional do Porto. Os bilhetes são hoje postos à venda na Casa da Música, a partir das 9h30.

As negociações com Bono Vox foram concretizadas há cerca de uma semana, mas a organização do espectáculo manteve o "segredo" guardado a sete chaves para evitar que a esperada invasão de fãs - desejosos de guardar os primeiros lugares das filas junto às bilheteiras - atrapalhasse a venda de ingressos para os restantes concertos que marcam a inauguração da Casa da Música.

Ao contrário do que sucederá em Lisboa, no próximo mês de Agosto, Bono Vox não virá acompanhado pelos restantes elementos dos U2, mas promete interpretar os maiores sucessos da banda irlandesa num concerto onde será acompanhado pela Orquestra Nacional do Porto.

Bono chegará ao nosso país a 11 de Abril, um dia depois do concerto da banda irlandesa em San Jose, nos Estados Unidos, aproveitando um intervalo de quatro dias na digressão dos U2. Logo após a actuação na Casa da Música, Bono Vox partirá num avião particular de regresso aos EUA, onde no dia 14 se junta aos restantes elementos da banda para um concerto em Phoenix.

Rui Veloso em palco

O COMÉRCIO apurou, entretanto, que Bono Vox aceitou uma sugestão da Casa da Música no sentido de interpretar três músicas acompanhado pelo pai do rock português, Rui Veloso. O músico portuense voltará, assim, a actuar ao lado de um grande nome mundial, depois de ter feito o mesmo, por duas vezes, com o "bluesman" BB king.

O resto do espectáculo será preenchido em exclusivo por Bono Vox que, acompanhado pela Orquestra Nacional do Porto, irá interpretar os maiores sucessos dos U2. Por imposição da editora, o vocalista da banda irlandesa não poderá, contudo, incluir temas do novo álbum neste concerto que promete levar a Casa da Música ao rubro.

Pedro D´Antas in "O Comércio do Porto"

Thursday, March 31, 2005

Resultados do concurso do IA ou a táctica do elefante

Foram conhecidos ontem os resultados dos concursos do Programa de Apoio Sustentado às Artes do Espectáculo. Apesar do ligeiro aumento relativamente a 2004, o Norte ficou na cauda das regiões a apoiar pelo IA. Apesar de conhecer excelentes profissionais do teatro, dança e música aqui no Porto, e que certamente terão a partir de hoje as suas vidas bem mais complicadas, não sou "bairrista" acreditem, até por que passei uma parte considerável da minha vida em Lisboa, no entanto, quando se conhece as pessoas, a sua honestidade e esforço de criação, dói olhar para a injustiça de certos números. O problema é ser-se português, descupem a franqueza. Bons profissionais existem de Norte a Sul do país. Quando só se têm 0,6 por cento do OE reservado à Cultura, apoiar o acto criativo em Portugal é equivalente a tentar cobrir um elefante com um guardanapo...

Tuesday, March 29, 2005

Pensamento


Posted by Hello

"Só se consegue amar alguém quando não se necessita do amor dessa pessoa", Tsering Paldron

Monday, March 28, 2005

QOTSA - "Lullabies to Paralyze"


Posted by Hello

Estou neste momento a ouvir o mais recente "Lullabies to Paralyze", enquanto escrevo estas linhas. Talvez expectativas demasiado elevadas levam-me a colocar esta viagem quase surreal pela iconografia audiovisual dos contos de fadas num plano inferior às "canções para surdos", no entanto, "Little Sister" é indubitavelmente o primeiro grande single rock a atingir rádios e televisões este ano. Recordo-me perfeitamente da conversa com Mark Lanegan no Hotel Meridian, aqui no Porto. Saudades dos Nirvana, paixões de PJ Harvey e viagens pelo deserto californiano, com algumas sessões orientadas por Homme à mistura. Depois o concerto no TSB. Fiquei com um zumbido nos ouvidos durante três dias. Altíssimo e com muito bom som, os QOTSA ofereceram um dos melhores concertos que aquele templo, actualmente ocupado por La Féria, alguma vez recebeu. Depois foi no histórico Paredes de Coura 2003. Ano de grandes novidades na área do rock. YYY e a Karen em grande destaque numa estreia em território nacional que não poderia perder.
Volvidas algumas primaveras e outras tantas saídas, temporárias acredito, as novas canções de embalar não possuem a mesma dose tóxica e inebriante de "Songs" ou "R". No entanto, "Someone Is In The Wolf", "The Blood Is Love" e "Broken Box" afirmam-se como propostas musicais da mais elevada qualidade. Riffs do Josh lembram Page, os coros Sabbath, tudo misturado com a ironia feliz e descontraída da Califórnia. Continua a ser um prazer ouvir os QOTSA e um ruído ler as infelizes comparações entre Castillo e Grohl.


Posted by Hello

Sunday, March 27, 2005

TV OFF

Oito dias com a televisão desligada. Já pensei em simplemente oferecer o electrodoméstico, mas ainda não estou tão "clean" quanto pensava...

Cradle of Filth no Coliseu e novidades discográficas

Passei a noite de ontem no Coliseu do Porto a assisitir ao novo espectáculo dos britânicos Cradle of Filth, após a escuta prévia da proposta 2005, "Nymphestamine", numa edição especial de dois CD, com seis faixas-bónus e o vídeo-clip do single. Apesar de não ser um adepto do black metal, longe estou dos tempos da secundária ao som dos vinis de King Diamond, Slayer, Sepultura e Metallica, considerei o trabalho dos Cradle bastante interessante em termos estéticos e sonoros. Justifiquei a minha presença e as sensações e conceitos do espectáculo num artigo a pulbicar amanhã no "Comércio do Porto".
O disco é bem mais interessante que a apressado espectáculo "live". Apesar da considerar que a inclusão da voz e do visual de Sarah Jezebel ser uma piscadela de olho ao lucrativo mercado dos adolescentes, tendo como referência a explosão Amy Lee, dos Evanescence, e do design e encenação em palco serem marcadamente importado das propostas cinematográficas dos anos 80, entre o "Exorcista" e "Hellraiser", alias ainda me recordo da conversa com Doug "Pinhead" Bradley no Fantas, que novamente colabora como narrador neste novo trabalhos dos Cradle, não dei a noite como perdida.
Tenho na bagagem uma série de discos para ouvir. Os novos trabalhos dos Queens of The Stone Age, que numa breve audição deixa muito a desejar em comparação com o poderoso "song for the deaf" e destaco ainda o novo EP dos RAMP, com uma "cover" interessantíssima de "Planet Earth" dos Duran Duran, que bem pode servir de cavalo de Tróia para LP "Nude", que, apesar da qualidade, tem sido muito mal tratado pelos "media".

Wednesday, March 23, 2005

Apego e sofrimento


Vasily Kandinsky, Composition 8, Julho 1923.
Posted by Hello

O luto de alguém que amo levou-me a refletir sobre o apego e a forma como nunca estamos preparados para deixar partir a pessoa amada ou o objecto da nossa afeição. Todos os encontros nesta vida acabam inevitavelmente com uma separação. Quanto mais profunda e antecipadamente tomarmos consciência desta impermanência menos estamos sujeitos ao sofrimento...

Monday, March 21, 2005

Império Blasted: Episódio III - Avatara

Império Blasted editou hoje episódio III: "Avatara". Com "Namaste", 2003 afirmou-se como o ano de todas as emiss~ees intergalácticas dos Blasted Mechanism. De Paredes de Coura aos noites Ritual, assisiti a pelo menos uma boa meia dúzia de espectáculos, "Are You Ready", single revelado em vídeo-clip no Fantas, dominou o território "live" de Portugal e arredores. Volvidos dois anos, os mensageiros mutantes reinventam-se com "Avatara", terceiro episódio discográfico a libertar hoje nas discos, aventura cósmica do colectivo karkoviano renascido há uma década algures na margem direita do rio Tejo, planeta Terra. Em termos conceptuais a quarta mutação transforma o trio Ary, Karkov e Valdjiu em elementos congregadores. Depois de guerreiros, recolectores e apaziguadores, "Avatara" (designação referente a encarnações divinas na teologia brimânica; do original sânscrito "avatar":"descida do céu"), o planeta Terra surge novamente como o território de todas asmanipulações. Para os Bastled a salvação dos humanos ainda é possível.Mais orgânico e menos electrónico, "Avatara" não se desvia no essencial das sonoridades formalizantes do colectivo. "Blasted Empire" inaugura, em velocidade "wrap", uma viagem sónica por um registo equilibrado, entre renovadas incursões tribais de cítaras e didjiridoos, com a voz de Maria João em destaque, e na assunção de atmosferas urbanas, desta vez, simplificadas pelo "rap" profético dos Dealema. Em conversa via telefone, Ary confessou-me que "Avatar" um disco mais espiritual". Para o baixista e co-produtor, "a presenãa de Maria João singnifica a concretização de um sonho", "os Dealema oferecem um cáracter urbano" e o "DJ Nelassassin um virtuosismo na área do djing". Ao vivo, os Blasted prometem um "up grade" tecnológico. Novas roupas de Gerardo Haro, concretizam a quarta metamorfose, acompanha por uma reactualização do espectáculo de som e luz. Depois da digressão de apresentação antecipada, que passou pelo Porto na passada sexta-feira, (infelizmente não pude assistir), "Avatara" será certamente um dos pratos princípais da temporada de concertos a atingir o verão 2005. Sem surpreender, em termos musicais, possui a essência destilada nas vibrações orientais dos Blasted. Uma banda que ao vivo vampiriza-se com a proposta estética. As narrativas e os personagens "live" devoram os músicos por detrás das máscaras.