Sunday, May 08, 2005

Pharrell desmente morte do N.E.R.D.

Os N.E.R.D. continuam juntos até prova do contrário. Com o rumor de que o concerto de ontem à noite, no TMN 24 horas, poderia muito bem ser o último na vida do colectivo, Pharrell rapidamente se encarregou de tranquilizar os espiritos dos adolescentes mais angustiados que temiam assistir a um harakiri no palco do Dragão. "Ainda estamos juntos e nunca nos vamos separar", afirmou Pharrell, confirmando-se, ao vivo e a cores, como um génio do marketing. Hora e meia antes, Gabriel, o Pensador, mostrou que continua a raciocinar transatlanticamente e ganhar no verbo o que perde na melodia. No entanto, "Resto do Mundo" mantém-se como uma das letras "rap" mais inspiradas da lingua portuguesa. Após 24 horas sem dormir, festejados os 5 milhões de clientes pela telefónica móvel e a vitória do Penafiel sobre o Benfica, o Dragão pode finalmente descansar em paz e sonhar com outros triunfos. De regresso a última das 24 horas, os N.E.R.D. conseguiram encerrar da melhor forma possível um evento francamente pobre, atraindo uma multidão compacta de adolescentes, que esperavam ansiosamente por ver ao vivo Pharrell Williams. Mais recente ícone da cultura MTV, produtor neptuniano e homem sombra fabricante de "blockbuster" para quase todas as estrelas mais brilhantes do teleuniverso por cabo, de Jay-Z e Buster Rhymes, no rap, Usher e Babyface, no R&B, passando por Britney Spears e Justin Timberlake, na pop, e No Doub, no rock, Pharrell confirmou, ontem no Dragão, ser um génio na arte da ilusão. Depois de cancelar a assinatura para a ressurreição dos N.E.R.D. anunciada ao mundo, em alto e bom som, nos microfones da BBC Radio 1, o compositor soube controlar o primeiro ao último minuto uma legião de fãs, hiponizando toda a geração DVD. Um dos 50 mais cobiçados solteirões o mundo, segundo a People, considerou Portugal como o pais mais sexy do mundo, pediu palmas, telemóveis na mão, ordenou que as pessoas lá do fundo se aproximassem, descem para comprimentar o público. Houve gritos, milhares de fotografias 3D e outros tantos corações partidos. Aos 31 anos, o norte-americano canta em "Fly or Die", das más notas na escola, dos castigos da mamã e do papá que o vão probidir de jogar playstation. Os maiores consumidores de discos, entre os 12 e 16 anos, compreendem os dramas do trintão, choram de emoção em "Maybe" e saltam em "Jump". O produtor do séc.XXI que usou groove/funk para empurrar o rap em direcção ao pop, considerado pela Esquire como um dos homens com mais estilo do mundo, ainda tem muito para ensinar no planeta do entertenimento.

Sobreviver 24 horas TMN no Dragão

Cultura pop das 24 horas TMN no Porto começou com o vocalista do Reamonn a dizer que trouxe os pais até Portugal, por que adora o nosso país, tem miúdas muito giras, e terminou com Pharrell Williams a jurar que os N.E.R.D. afinal não tencionam acabar tão cedo, afastando assim os rumores de um arakiri colectivo no Dragão, um génio do ilusionismo. Pelo meio houve Xutos, revisitação de uma Queima do outro lado da cidade, e uma série de bandas à moda do Porto fracamente interessantes mas, fora das horas de consumo obrigatório. Destaque para MESA que em Setembro vão explodir na cara de toda a gente com "Vitamina" um álbum que se prepara que conquistar o audiovisual português de forma superlativa ("Em Garde" um dos temas a ter em atenção) e os Blind Zero, que amanhã editam novo trabalho, e que tem em "Shine On" e "Day 1" dois singles para históricos. Gostei do espectáculos dos X-Wife Às 07h00 perante uma plateia alucinada, com punks vestidos com t-shirts de Gomo e outros zappings interculturais. Apesar de ousado, o projecto 24horas acabou por sair mal da história, queimado pela queima e por um cartaz "teen", público que ainda não tem idade para grandes noitadas. Proposta de encerramento publicitário teve o Pharrell o artista maior, um mestre do marketing que arrebatou crianças dos 8 aos 15 anos. Para ouvir e chorar por nunca mais.

Friday, May 06, 2005

Febre de sexta à noite ou venha o diabo e escolha

Laurie Anderson abre logo à noite o Festival Codex no TNSJ. à mesma hora Tony Carreira inaugura o Festival de Música da Maia. Os The Gift estão na Queima do Porto. Xutos aquecem o TMN 24horas. Julio Iglesias arranca a 36ª digressão europeia no Casino de Espinho a 250 euros por pessoa. GNR dão pontapé de saída as Festas do Senhor de Matosinhos. E eu estou indeciso entre conhecer a companheira de Lou Reed, escutar o "vagabundo por amor" ou deixar-me seduzir pelo o autor de "Divórcio". Se calhar vou mas é ao Dragão. razões de ordem arquitectónica. imperativos estéticos. curiosidade pop.

Thursday, May 05, 2005

Cine-doc de "Shine On" dos Blind Zero

a propósito do post-coment na via, reafirmo e justifico a "hype" em torno da proposta televisual "Shine On", vídeo-clip-single, dos Blind Zero. Há poucos dias, depois de uma conversa com o colectivo, o Vasco teve a gentileza de me mostrar o esboço da proposta. Fiquei no mínimo alucinado. Narrativa marcadamente documental, reporta a uma história verdadeira de insanidade no feminino, nos EUA. Narrador em "on" durante mais de quatro minutos. Proposta coloca o tema em segundo plano, transformando a música numa espécie de banda-sonora de um "shortdoc". Arrojado, arriscado e pertinente como o próprio álbum, sobre o qual em breve deixarei a minha leitura, devidamente contextualizada com soundbits da banda...

Wednesday, May 04, 2005

O triunfo da ruralidade

Ontem à noite, na Queima do Porto, uma amigo alucinado confessou-me que tinha vendido o bilhete dos U2 para poder estar ali a ouvir Quim Barreiros. Facilmente se compreende o fenómeno no Portugal contemporâneo, mais de 30 anos de carreira, a tirar carros da garagem e a servir bacalhau à portuguesa. Provavelmente se Salazar não tivesse existido, e Portugal tivesse sentido, mesmo ao de leve, a vaga industrial dos anos 40/50 a ruralidade não se teria perpetuado em fenómenos como Quim Barreiros ou na música pimba. Por outro lado, convém relembrar que muitos dos universitários do Porto são migrantes precisamente de zonas rurais, onde os bailes da aldeia, aos 13/14 anos, eram, e ainda continuam a ser, celebrações de emancipação, de passagem, onde se bebe e "namora", muitas vezes pela primeira vez.

Noites da Queima do Porto

As coisas estão a correr bem aqui para os lados a Invicta. Muita malta na Queima e, apesar dos cartaz ser sempre muito limitado, a funcionalidade das propostas musicais tem conduzido a noite animadas e com muita malta. Clã e MESA provaram mais uma vez serem duas das melhores bandas pop da actualidade. A primeira ainda alimentada com o excelente Rosa Carne, um dos discos do ano 04, e o colectivo do Porto, no dia seguinte, afirmou-se mais uma vez como um dos mais criativos do momento, deixando boas indicações para o próximo álbum, "Vitamina", a editar em Setembro. Entretanto, ontem, Quim Barreiros meteu carros na garagem e serviu bacalhau à portuguesa, enquanto Ágata confessou ser uma mãe solteira, mulher apaixonada e ciumenta. A malta dançou e chorou por mais... Estudantes alucinados deambularam pelo Queimódromo até perto da cinco da manhã... É uma das maiores do país, seguem-se ainda propostas interessantes, Primitive, The Gift e Blasted.

Tuesday, May 03, 2005

Toranja: "Segundo"

Mais maduros e ácidos, os Toranja regressaram com "Segundo". Dois anos volvidos sobre "Esquissos" e um sobre a intensa e frutífera digressão nacional, os Toranja regressam ontem às edições discográficas com o excelente "Segundo". Mais maduro, eléctrico e ácido, o "Segundo" registo da banda abre novos caminhos sonoros rumo a uma identidade cada vez mais definida, situada algures entre a renovação da metáfora pop, colhida com entusiasmo pela geração digital, que ainda não teve tempo para entrar no "Bairro do Amor", e uma mais do que feliz incursão pelo território da loucura e alucinação "acid-rock" com algunas inteligentes cicatrizes da "indie" nova-iorquina pós-Woodstock. Conversei com Dodi, baixista, de outro lado da linha. "Mais eléctrico? Sim, sem dúvida. Acho que este disco é de extremos. Falamos de emoção, mas de forma mais directa, sem tantas metáforas", afirma. Colocando de lado as composições "single", temas como "Outro Mundo", "Ensaio" e "Tempos Adversos" representam um passo em frente na procura de novos territórios do pop/rock. "Segundo" é a confirmação do talento oculto em "Esquissos" e antecipado na digressão 04. Temas como "Nada" revelaram um talento e uma orgânica insuspeitas em palcos em pouco por todo o país. "Sangue Que Ficou" apresentado ao "vivo" em formato acústico, simboliza esse amadurecimento "live", numa viagem paranóica a mão perder. "Segundo" é um dos registos a ter em atenção este ano. Destinado à platina, single ou dupla, o LP eleva a qualidade dos Toranja a um patamar de exigência e qualidade superiores, sem, no entanto, desencantar o público adolescente com baladas consistente em composições tão inteligentes como "Laços". Espera-se que a banda, centrada nas letras e no carisma de Tiago Bettencourt, sobreviva a si própria, evitando o triste fado dos "Silence 4". A pop nacional sem corantes nem conservantes agradece esta vitamina.

Saturday, April 30, 2005

Repórter Estrábico na Casa da Música

É um dos concertos a não perder. Logo à noite, os Repórter Estrábico tornam a Casa da Música num espaço verdadeiramente europeu quiçá com aspirações mundiais. Projecto nascido e crescido no Porto, pintado de ironia, vestido de sarcasmo e sempre pronto a criar quadros burlescos retirados como uma inteligência e acutilância invulgares do contexto "bipolar" da sociedade lusitana cada vez mais nova e rica. Estádios de futebol e sardinhas assadas para todos, depois do "live act" como agora se diz. Documentário realizado por Maria João Taborda, que acompanhou a banda durante a digressão "Eurovisão", no Verão de 2004, serve de aperitivo, às 22h30. Luciano & Co. celebram 20 anos de carreia. Portugal ainda não tinha entrado na CEE, os arrumadores eram uma ideia genial por inventar e a Casa da Música essa ainda estava por construir.
pop.techno.dance.come.come.bebe.bebe.consome.na.house.de.la.music.

Repórter Estrábico. Eurovisão. Sr. Arrumador

Tens em mim um sujeito competente
Capaz de lidar com toda a gente
Nem pró caldo eu faço uma pausa
Quando estou angriando para a causa

Tenho mulher e filhos agarrados
Preciso de auferir três ordenados
Não me prometas um tacho no céu
Promete um ordenado como o teu

Sr. Arrumador, arranja um lugar para mim!

A minha linguagem gestual
É simples sinalética informal
Abano bem o braço todo o dia
Afinal, já estudei coreografia

Dá-me gosto ter clientes bem dispostos
Faz-me jeito uns trocados sem impostos
Não me prometas um tacho no céu
Promete um ordenado como o teu

Dignidade e estatuto nos conformes
Tenho projecto prá fardas e uniformes
No pé um alpergata por causa do calos
Boné e gravata com motivos de cavalos

Friday, April 29, 2005

Sugestão de teatro: "Ser e Não Ser"

Posted by Hello


Tive a oportunidade, em forma de antecipação, de conversar ontem à tarde, no Teatro Rivoli do Porto, com a encenadora e actriz Maria do Céu Guerra. O resultado da conversa/entrevista pode ser lido na integra na edição de hoje do CP, no entanto, e tendo em conta a estreia, logo à noite, da proposta "Ser e Não Ser", pela companhia lisboeta "A Barraca", a minha sugestão teatral para este fim-de-semana, e em jeito de síntese/apresentação, surge-me como pertinente afirmar que a proposta reveste-se de especial interesse, não só pela coragem/ousadia de revisitar 27 séculos de história teatral em mais de seis horas de representação dividias as três episódios, hoje às 21h30, amanhã às 16h00 e o derradeiro olhar sobre o contemporâneo, no sábado às 21h30, como também pela lucidez e coragem dessa grande figura dos palcos nacionais.
Na realidade, fiquei com a melhor das impressões. Maria do Céu Guerra revelou um olhar inteligentíssimo sobre o contexto teatral português, lançado farpas, bem estruturadas quanto afiadas, em direcção ao Instituto das Arte que, no entender da actriz, "representa o período de novo-riquismo que actualmente estamos a viver". Importante contextualizar a observação, com o facto/discurso de sobrevalorização do IA de Paulo Cunha e Silva sobre as arte plásticas contemporâneas, sobretudo as de carácter experimental em deterimento do teatro e outras propostas mais "clássicas". Nota também de preocupação relativamente à invasão de modelos, caras lindas e outras figuras capas de revistas com alguma telegenia nas produções televisivas e nos palcos. Falta ainda regulamentar a profissão de actor, de forma a que quem estude durante quatro ou cinco anos não seja simplesmente passado para trás por uma boazona que tirou um "workshop" de sorrisos para a câmara nas horas vagas.
Fica a sugestão para quem habita o Porto, de entre hoje e amanhã apanhar pelo menos um dos três capítulos desta viagem pela história do Teatro, de Eurípedes a Arthur Miller, intitulada "Ser e Não Ser" conduzida, desde logo, por um nome superlativo e referêncial dos palcos e da representação. Parabéns à "Barraca" pela ousadia e qualidade do projecto.

Shakespeare. Richard III: Act I, Scene i

Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
Now are our brows bound with victorious wreaths;
Our bruised arms hung up for monuments;
Our stern alarums chang'd to merry meetings,
Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visag'd war hath smooth'd his wrinkled front;
And now,—instead of mounting barbed steeds
To fright the souls of fearful adversaries,—
He capers nimbly in a lady's chamber
To the lascivious pleasing of a lute.
But I,—that am not shap'd for sportive tricks,
Nor made to court an amorous looking-glass;
I, that am rudely stamp'd, and want love's majesty
To strut before a wanton ambling nymph;
I, that am curtail'd of this fair proportion,
Cheated of feature by dissembling nature,
Deform'd, unfinish'd, sent before my time
Into this breathing world scarce half made up,
And that so lamely and unfashionable
That dogs bark at me as I halt by them;—
Why, I, in this weak piping time of peace,
Have no delight to pass away the time,
Unless to spy my shadow in the sun,
And descant on mine own deformity:
And therefore,—since I cannot prove a lover,
To entertain these fair well-spoken days,—
I am determined to prove a villain,
And hate the idle pleasures of these days.
Plots have I laid, inductions dangerous,
By drunken prophecies, libels, and dreams,
To set my brother Clarence and the king
In deadly hate the one against the other:
And if King Edward be as true and just
As I am subtle, false, and treacherous,
This day should Clarence closely be mew'd up,—
About a prophecy which says that G
Of Edward's heirs the murderer shall be.
Dive, thoughts, down to my soul:—here Clarence comes.

Thursday, April 28, 2005

Sugestão de cinema: "Cantando Por Detrás das Cortinas"

Posted by Hello


Estreia da semana, "Cantando Por Detrás das Cortinas" é um filme que não deve passar desapercebido a quem realmente gosta de cinema. Volvidos quase dois anos sobre a sua estreia mundial, felizmente o excelente trabalho de realização do veterano italiano Ermanno Olmi conseguiu encontrar um espaço de exibição no mercado português. Digo felizmente pois trata-se de uma proposta superlativa no contexto dos produtos cinematográficos que semanalmente nos são impostos e que, cada vez mais, se pautam pela mediocridade.
Para além de um encantantório trabalho de fotografia e de uma direcção de actores irreprensível, "Cantando Por Detrás das Cortinas" consegue unir de forma poética o universo dos contos orientais, da oralidade, com uma gramática da imagem plena de sensualidade e encantamento. Inteligência e sensibilidade numa história de encantar e elevar o espírito como há muito não se conseguia no cinema. Depois de "Pelo Mar Adentro", este é um dos filmes que contém uma qualidade técnica muito para além do normal e que importa conhecer. A narrativa gira em torno de uma corsária viúva e abre uma janela de reflexão sobre a nobreza de espírito e elevação moral num contexto esteticamente barroco e socialmente marginal. Um filme a não perder.

"Ausência"

Mal te deixo,
continuas em mim, cristalina
ou trémula,
ou inquieta, por mim mesmo ferida
ou cumulada de amor, como quando os teus olhos
se fecham sobre o dom da vida
que sem cessar te entrego

Meu amor,
encontrámo-nos
sedentos e bebemos
toda a nossa água e o nosso sangue,
encontrámo-nos
com fome
e mordemo-nos
como o fogo morde,
deixando-nos em ferida

Mas espera-me,
guarda a tua doçura
Eu te darei também
uma rosa.


"Os Versos do Capitão", de Pablo Neruda, trad. Albano Martins, Ed. Campo das Letras

Monday, April 25, 2005


Uma flor por Abril Posted by Hello

Sunday, April 24, 2005

Tecnologia e identidade

Subtil a forma como incorporamos a tecnologia numa identidade híbrida. Actualmente dizemos "estou sem bateria" ou "estou sem rede" fazendo o telemóvel uma extensão do nosso sistema nervoso central. É a Galáxia de McLuhan num movimento de implosão cada vez mais acelerado e irreversível

Porto ao domingo

Porto ao domingo é uma cidade fantasma, um fantasporto. Cidade periférica de si mesma, onde é mais fácil apanhar uma constipação do que um café aberto ou alguém com um sorriso feliz. Local triste, verdadeiramente triste e abandonado. Uma velha fria e Invicta como o granito num luto perpétuo, silencioso e sombrio.

Friday, April 22, 2005

Queima do Porto sem Xutos mas com preservativos

Noites da Queima das Fitas do Porto 2005 arrancam no dia 1 de Maio e terminam volvidos sete dias sem grandes novidades em cartaz. Eagle-Eye Cherry destrona Xutos & Pontapés no encerramento; João Pedro Pais e Milton Nascimento estreiam-se e Pedro Abrunhosa dá o pontapé de saída. A FAP promete distribuir 300 mil preservativos, como manifestação da “consciência social” dos estudantes e acolher uma mobilização a rondar as 10 mil presenças. A missa da benção das pastas, “volta ao Porto”, fixando-se no Estádio do Bessa, ainda não é conhecido o nome sacerdote.
Regressando ao cartaz 05, destaque no dia de abertura para a presença dos Clã, Fingertips e Abrunhosa que encerram a primeira das sete noites. Na segunda dose, o hip-hop cubano dos Orishas e a pop sofisticada dos MESA. Na terça-feira, o palco do queimódromo concretiza a noite “pimba” com Ágata e Quim Barreiros. Para os resistentes ou sobreviventes da noitada popular, a dia seguinte apresenta uma das estreias da Queima, João Pedro Pais e as cativantes ‘Pictures In The Wall’” dos Primitive Reason conhecem uma projecção imperdível. Seguem-se os Blasted Mechanism e Da Weasel, que prometem uma das noites mais interessantes de toda a Queima, com os registos “Avatara” e “Re-definições” em destaque. Entre MSN ´s intergaláticas e “olá nenas”, a quinta-feira promete mais pó do que cinzas, com duas descargas audiovisuais bem trabalhadas nascidas à Sul. Já no dia seguinte, regressam os The Gift, este ano em regime de dupla frequência: AM/FM, e confirma-se a presença, cada fez mais forte, da MPB, desta vez sob a batuta de Milton Nascimento.
No última das noite da Queima, destaque incontornável para a presença de Eagle-Eye Cherry, que depois de cancelar concerto de “Sub Rosa” nos coliseus do Porto e Lisboa, destrona os Xutos. Primeira parte apresenta o hip-hop urbano e autêntico dos Dealema. Sem grandes novidades, cartaz 2005 das Noites da Queima promete folia e suplica moderação, logo a abrir mês de Maio.

Thursday, April 21, 2005

Últimas escutas: Blind Zero e Toranja

Para breve posts referentes a dois registos. Primeiro, em formato de antecipação, uma apalpadela aos BZ, com single "Shine On" a revelar um insuspeito desvio electrónico muito 80´s e "Segundo" dos Toranja, provalvelmente uma das grandes surpresas de 2005, muito acima do primeiro "Esquissos".
NOTA: A forma descarada com algumas "labels", apesar de se queixarem da pirataria, enviam para os "media" cópias piratas (CD-R´s da Sony) dos trabalhos originais. Aparentemente só elas é que podem poupar, o consumidor tem mesmo de pagar, e em alguns casos bem caro.

Festival Antarte junta pop/rock nacional em Julho

Assisti ontem à apresentação oficial do mais recente festival de verão 2005. Entre 22 e 24 de Julho, Rebordosa/Paredes vai estrear o Festival Artarte Pop/Rock 100% Nacional. Apesar de alguns ajustes em termos de marketing, a começar pelo nome e a terminar em toda a estrutura gráfica, o evento promete trazer ao Vale do Sousa, os Blasted, Blind Zero, The Gift, Clã, Toranja, EZ Special, Fingertips, entre outros. Entre um Vítor Baía e os presidentes das juntas, cruzei-me com Manuela Azevedo com quem conversei, entre outras coisas, sobre a experiência Casa da Música e a fórmula "live" da dose 2005 do nutritivo Rosa Carne. Apesar de algumas reticências, quanto ao timing e à infraestrutura, espero sinceramente que o festival triunfe. Não só pela descentralização do acesso a bens culturais sobretudo na zona norte, mas sobretudo pelo espaço em palco que as bandas nacionais há muito merecem ter. Qualidade não lhes falta.