Sunday, June 05, 2005

As birras da ministra e as tácticas "ocultas" de Rio

Ontem o Porto assistiu a mais uma revelação das lamentáveis tácticas políticas de Rio. À espera da ministra da Cultura, que decidiu participar, a título particular, na mais do que merecida homenagem a esse vulto do pensamento português do séc. XX, Óscar Lopes, estavam na entrada do palácio de cristal, dois cartazes que pediam à ministra para acabar com a birra e deixar contruir o buraco de Ceuta. Pelo tamanho e proximidade com os panéis da Feira do Livro do Porto, prontamente o vice.presidente da APEL, Jorge Araújo, se encarregou de pedir desculpas à ministra, demarcando-se das mensagens, afirmando mesmo que entrou em contacto com os responsável pelo Palácio, pedindo para que retirassem os cartazes, ao que estes responderam que tinham autorização da Câmara Municipal do Porto. Estamos perante a táctica que surpreende pela infantilidade e cobardia. Sem qualquer movimento popular que suporte a colocação de tais mensagens, ter um autarca a usar o equipamento municipal e um evento literário para enviar mensagens aos governanentes e fazer campanha eleitoral pela negativa roça o caricático e releva uma falta de estatura política sem precedentes. Naturalmente será escusado dizer que nenhum representante da CMP se dignou assumir a autoria dos cartazes e comparece à homenagem de um homem do Porto que se afirma como um dos maiores vultos do ensaísmo, crítica literária, linguística e pensamento contemporânea. A cultura autarquica fica-se pelo insulto anónimo e pelas festas das rádios pimpa da cidade.

Saturday, June 04, 2005

Crítica às condecorações de Sampaio

Tendo como pano de fundo o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, ficam, duas sugestões alternativas aos nomes ontem divulgados na comunicação social e que serão condecorados, no dia 10, por Jorge Sampaio. Em vez da nova estrela do marketing internacional José Mourinho, proponho a atleta olímpica e campeã nacional Teresa Machado, que actualmente lava escadas para sobreviver. Em vez da apresentadora televisiva e aspirante a actriz, Catarina Furado, cujo contributo cultural para o nosso país tem sido e continua a ser nulo, proponho "As Boas Raparigas", que tiveram de vender parte do espólio para sobreviver... Os verdadeiros vencedores portugueses são os exemplos de talento e sobrevivência cá dentro e não de sucesso mediático lá fora.

Friday, June 03, 2005

Serralves reactualiza Festa versão 2005

Depois do sucesso da primeira edição, com mais de 40 mil visitantes, Serralves oferece a versão 2005 à cidade, mas com assinaláveis alterações estruturais. A primeira nasce do embaraço 2004 chamado Televison. O concerto pago acabou por não resultar em termos sonoros e de público. Este ano, evita-se os concertos chocolate, simplifica-se, com 160 mil euros da Unicer não há necessidade alguma de cobrar bilhetes. Outra das reactulização retira à noite de sábado alguma da animação que teve no ano passado. Na realidade a presença de banda da cidade, como Plaza e um conjunto de propostas sonoras "afterhours" interessantes transformou Serralves numa espécie de "disco out of control". Este ano simplifica-se, três DJ reinam até às 06h00, nada de bandas ao vivo pela noite dentro. Triunfam as parcerias com TNSJ, ACE, FITEI, ONP entre muitas outras. Música, Dança, Teatro, exposições, debates e muita animação a partir das 08h00 de amanhã até à meia.noite de domingo. Apesar de menos nutritiva, a Festa de Serralves não deixa de ser um "local" interessante para viajar este fim-de-semana.

"Fairy Land i", William Shakespeare

"Hill of Montmartre with Quarry", Van Gogh, 1886 Posted by Hello


Over hill, over dale,
Thorough bush, thorough brier,
Over park, over pale,
Thorough flood, thorough fire,
I do wander everywhere,
Swifter than the moone's sphere;
And I serve the fairy queen,
To dew her orbs upon the green:
The cowslips tall her pensioners be;
In their gold coats spots you see;
Those be rubies, fairy favours,
In those freckles live their savours:
I must go seek some dew-drops here,
And hang a pearl in every cowslip's ear.

Thursday, June 02, 2005

Fim-de-semana em grande no Porto

Depois da abertura do FITEI versão 2005, no TNSJ, que contou com as presenças de Mário Dorminsky/Beatriz Pacheco Pereira, Regina Guimarães/Seguenail, Isabel Alves Costa, José Cruz dos Santos, Jaime Azinheira, João Luís entre outros, o próximo fim-de-semana no Porto promete ser de grande actividade a nível cultural. Para além do FITEI, Serralves promete 40 horas de festa e o Festival da Fábrica, de Alberto Magno, apresenta alguns dos melhores movimentos de dança contemporânea da actualidade. Entretanto a Feira do Livro continua a promover o prazer da leitura no Pavilhão Rosa Mota. Junho não poderia ter começado da melhor maneira. Motivos não faltam para desligar a televisão e sair de casa para saborear algumas das propostas em cartaz para este fim-de-semana no Porto.

Tuesday, May 31, 2005

Artigo da semana: Blogs na reconstrução da história norte-americana

A importância dos blogs na reconstrução da história norte-americana. "Art, blogs bare souls of yet another fighting generation" é um artigo/editorial notável publicado no USA Today sobre a forma com os soldados estão a partilhar as suas experiências de guerra na blogosfera, a ultrapassar a censura dos media. Partindo do poema "Leaves of Grass", de Walt Whitman, uma visão de como a arte pode ser mais verdadeira "than the real thing".

Walt Whitman: Leaves Of Grass. A Carol Of Harvest For 1867

"War or Discord on Horseback", 1894, Douanier Rousseau Posted by Hello


A SONG of the good green grass!
A song no more of the city streets;
A song of farms--a song of the soil of fields.

A song with the smell of sun-dried hay, where the nimble pitchers
handle the pitch-fork;
A song tasting of new wheat, and of fresh-husk'd maize.

For the lands, and for these passionate days, and for myself,
Now I awhile return to thee, O soil of Autumn fields,
Reclining on thy breast, giving myself to thee,
Answering the pulses of thy sane and equable heart,
Tuning a verse for thee. 10

O Earth, that hast no voice, confide to me a voice!
O harvest of my lands! O boundless summer growths!
O lavish, brown, parturient earth! O infinite, teeming womb!
A verse to seek, to see, to narrate thee.

Ever upon this stage,
Is acted God's calm, annual drama,
Gorgeous processions, songs of birds,
Sunrise, that fullest feeds and freshens most the soul,
The heaving sea, the waves upon the shore, the musical, strong waves,
The woods, the stalwart trees, the slender, tapering trees, 20
The flowers, the grass, the lilliput, countless armies of the grass,
The heat, the showers, the measureless pasturages,
The scenery of the snows, the winds' free orchestra,
The stretching, light-hung roof of clouds--the clear cerulean, and
the bulging, silvery fringes,
The high dilating stars, the placid, beckoning stars,
The moving flocks and herds, the plains and emerald meadows,
The shows of all the varied lands, and all the growths and products.

Fecund America! To-day,
Thou art all over set in births and joys!
Thou groan'st with riches! thy wealth clothes thee as with a swathing
garment! 30
Thou laughest loud with ache of great possessions!
A myriad-twining life, like interlacing vines, binds all thy vast
demesne!
As some huge ship, freighted to water's edge, thou ridest into port!
As rain falls from the heaven, and vapors rise from earth, so have
the precious values fallen upon thee, and risen out of thee!
Thou envy of the globe! thou miracle!
Thou, bathed, choked, swimming in plenty!
Thou lucky Mistress of the tranquil barns!
Thou Prairie Dame that sittest in the middle, and lookest out upon
thy world, and lookest East, and lookest West!
Dispensatress, that by a word givest a thousand miles--that giv'st a
million farms, and missest nothing!
Thou All-Acceptress--thou Hospitable--(thou only art hospitable, as
God is hospitable.) 40

When late I sang, sad was my voice;
Sad were the shows around me, with deafening noises of hatred, and
smoke of conflict;
In the midst of the armies, the Heroes, I stood,
Or pass'd with slow step through the wounded and dying.

But now I sing not War,
Nor the measur'd march of soldiers, nor the tents of camps,
Nor the regiments hastily coming up, deploying in line of battle.

No more the dead and wounded;
No more the sad, unnatural shows of War.

Ask'd room those flush'd immortal ranks? the first forth-stepping
armies? 50
Ask room, alas, the ghastly ranks--the armies dread that follow'd.

(Pass--pass, ye proud brigades!
So handsome, dress'd in blue--with your tramping, sinewy legs;
With your shoulders young and strong--with your knapsacks and your
muskets;
--How elate I stood and watch'd you, where, starting off, you
march'd!

Pass;--then rattle, drums, again!
Scream, you steamers on the river, out of whistles loud and shrill,
your salutes!
For an army heaves in sight--O another gathering army!
Swarming, trailing on the rear--O you dread, accruing army!
O you regiments so piteous, with your mortal diarrhoea! with your
fever! 60
O my land's maimed darlings! with the plenteous bloody bandage and
the crutch!
Lo! your pallid army follow'd!)

But on these days of brightness,
On the far-stretching beauteous landscape, the roads and lanes, the
high-piled farm-wagons, and the fruits and barns,
Shall the dead intrude?

Ah, the dead to me mar not--they fit well in Nature;
They fit very well in the landscape, under the trees and grass,
And along the edge of the sky, in the horizon's far margin.

Nor do I forget you, departed;
Nor in winter or summer, my lost ones; 70
But most, in the open air, as now, when my soul is rapt and at
peace--like pleasing phantoms,
Your dear memories, rising, glide silently by me.

I saw the day, the return of the Heroes;
(Yet the Heroes never surpass'd, shall never return;
Them, that day, I saw not.)

I saw the interminable Corps--I saw the processions of armies,
I saw them approaching, defiling by, with divisions,
Streaming northward, their work done, camping awhile in clusters of
mighty camps.

No holiday soldiers!--youthful, yet veterans;
Worn, swart, handsome, strong, of the stock of homestead and
workshop,
Harden'd of many a long campaign and sweaty march, 80
Inured on many a hard-fought, bloody field.

A pause--the armies wait;
A million flush'd, embattled conquerors wait;
The world, too, waits--then, soft as breaking night, and sure as
dawn,
They melt--they disappear.

Exult, indeed, O lands! victorious lands!
Not there your victory, on those red, shuddering fields;
But here and hence your victory.

Melt, melt away, ye armies! disperse, ye blue-clad soldiers!
Resolve ye back again--give up, for good, your deadly arms; 90
Other the arms, the fields henceforth for you, or South or North, or
East or West,
With saner wars--sweet wars--life-giving wars.

Loud, O my throat, and clear, O soul!
The season of thanks, and the voice of full-yielding;
The chant of joy and power for boundless fertility.

All till'd and untill'd fields expand before me;
I see the true arenas of my race--or first, or last,
Man's innocent and strong arenas.

I see the Heroes at other toils;
I see, well-wielded in their hands, the better weapons. 100

I see where America, Mother of All,
Well-pleased, with full-spanning eye, gazes forth, dwells long,
And counts the varied gathering of the products.

Busy the far, the sunlit panorama;
Prairie, orchard, and yellow grain of the North,
Cotton and rice of the South, and Louisianian cane;
Open, unseeded fallows, rich fields of clover and timothy,
Kine and horses feeding, and droves of sheep and swine,
And many a stately river flowing, and many a jocund brook,
And healthy uplands with their herby-perfumed breezes, 110
And the good green grass--that delicate miracle, the ever-recurring
grass.

Toil on, Heroes! harvest the products!
Not alone on those warlike fields, the Mother of All,
With dilated form and lambent eyes, watch'd you.

Toil on, Heroes! toil well! Handle the weapons well!
The Mother of All--yet here, as ever, she watches you.

Well-pleased, America, thou beholdest,
Over the fields of the West, those crawling monsters,
The human-divine inventions, the labor-saving implements:
Beholdest, moving in every direction, imbued as with life, the
revolving hay-rakes, 120
The steam-power reaping-machines, and the horse-power machines,
The engines, thrashers of grain, and cleaners of grain, well
separating the straw--the nimble work of the patent pitch-fork;
Beholdest the newer saw-mill, the southern cotton-gin, and the rice-
cleanser.

Beneath thy look, O Maternal,
With these, and else, and with their own strong hands, the Heroes
harvest.

All gather, and all harvest;
(Yet but for thee, O Powerful! not a scythe might swing, as now, in
security;
Not a maize-stalk dangle, as now, its silken tassels in peace.)

Under Thee only they harvest--even but a wisp of hay, under thy great
face, only;
Harvest the wheat of Ohio, Illinois, Wisconsin--every barbed spear,
under thee; 130
Harvest the maize of Missouri, Kentucky, Tennessee--each ear in its
light-green sheath,
Gather the hay to its myriad mows, in the odorous, tranquil barns,
Oats to their bins--the white potato, the buckwheat of Michigan, to
theirs;
Gather the cotton in Mississippi or Alabama--dig and hoard the
golden, the sweet potato of Georgia and the Carolinas,
Clip the wool of California or Pennsylvania,
Cut the flax in the Middle States, or hemp, or tobacco in the
Borders,
Pick the pea and the bean, or pull apples from the trees, or bunches
of grapes from the vines,
Or aught that ripens in all These States, or North or South,
Under the beaming sun, and under Thee.

Monday, May 30, 2005

FITEI 2005

Arranca amanhã, dia 31, a 28ª edição do FITEI. O mais antigo festival de teatro realizado em Portugal acolhe na inauguração da versão 2005, "Berenice", de Racine, proposta do D. Maria II de Lisboa, traduzida por Vasco Graça Moura, com música de Mário Laginha e a actriz Beatriz Batarda em destaque. Seguem-se 16 espectáculos em 13 dias. Conversei hoje com Mário Moutinho e, sinceramente, considero a programação bastante mais equilibrada do que a 2004, onde as peças brasileiras dominaram todo o certame. Apesar de todos os problemas orçamentais, ligados, inevitavelmente, a mais do que reportada crise do IA, com empréstimos bancários pelo meio, fica a chamada de atenção para a abertura de um festival que merece atenção da crítica e essencialmente presença do público.

Thursday, May 26, 2005

"Pessoas Como Nós", Margarida Rebelo Pinto

Posted by Hello


"Os homens nem sempre avançam, nem sempre atacam. Alguns preferem esperar, deixar que o tempo lhes traga o que mais precisam, para nunca terem de tomar decisões. O Fred é assim, como um lobo, e os lobos preferem morrer de fome a cometer um erro. Ele nunca dará um passo em frente."

Wednesday, May 25, 2005

Como tornar-se num escritor de sucesso sem ter lido um livro em toda a sua vida - parte 1

Inspirado na abertura das feiras no livro de Lisboa e Porto.
Escolha com precisão cirúrgica um público alvo. Esqueça-se de si. Coloque-se sempre sempre leitor em primeiro lugar. Exemplo: se decidir tornar-se num escritor urbano-realista, com olhos colocados no público feminino, siga o magnífico e bem sucedido exemplo de Margarida Rebelo Pinto e coloque imediatamente de lado palavras com mais de quatro ou cinco sílabas. Simplifique. Se lhe faltar inspiração, corra para a cabeleireira mais perto de si e permaneça atento às conversas da clientela ou siga para uma loja de decoração de interiores e preste atenção aos dramas familiares da classe média com aspirações a alta. Não tenha medo nem pudor, leve um bloco de notas consigo. Não confie na sua memória. Defina os personagens de forma o mais estereotipada possível. Figuras planas, com o mínimo de densidade psicológica possível. Exemplo: Mulher atraente, loira de 38 anos, licenciada em recursos humanos, vive com engelheiro informático que trabalha para uma empresa de telecomunicações. Subitamente, encontra no ginásio um chefe do departamento de marketing de uma multinacional de produtos de beleza que teima em convidá-la para uma sessão fotográfica para o próximo catálogo Primavera/Verão, pois não acredita que nossa heroína não seja ou tenha sido uma modelo. Entre dentro da mente desta fantástica mal aproveitada mulher. Defenda com unhas e dentes o seu dilema, se necessário for coloque suspeitas sobre o marido que poderá muito bem ter uma ou duas amantes. Crie mistério. Nunca que esqueça de descrever com pormenor corpos, rostos e cheiros dos personagens.

Tuesday, May 24, 2005

Gorillaz: o regresso da macacada

Posted by Hello


Dias do demónio chegam numa renovação hip-pop que promete novos rumos para a MTV. Os N.E.R.D. que se cuidem, os macacos estão mesmo de volta e reclamam para si um território que lhe pertence por direito próprio. É a lei da selva audiovisual, as vitimas serão inevitavemente sacrificadas nos novos altares do cabo. A cores do imaginário colectivo do público 3G jogam a favor dos Gorillaz, as "playlists" vão na mesma onda e seguem dentro de momentos. O reino da virtualidade digital triunfa em toda a sua extensão e profunidade.

Thursday, May 19, 2005

A asfixia do futebol no circo mediático

foto: Amit Gupta/Reuters Posted by Hello


Sinceramente gosto de futebol, apesar de apreciar outros desportos que me parecem bem mais exigentes e competitivos a nível técnico e táctico. Lamento a derrota de ontem do Sporting, no entanto, mais lamentável ainda é o tempo de antena dado pela RTP1 ao fenómeno desportivo, em geral, e à final da taça UEFA, em particular. O delírio audiovisual do canal de serviço público transformado em desfile de banalidades ocupou praticamente dois dias de emissão. Desde entrevistas à vendedora de gelados à porta do estádio até opiniões técnicas do jardineiro do Alvalade sobre as condições do relvado, aos especialistas de bancada, os jornalistas fizeram das tripas coração para fazer passar um tempo manifestamente superior à importância e efemeridade do encontro "per si". A ideia difundida pelos média, de que não há vida para além da bola, encontra em mim um adversário. Lamento a febre não desportiva, pois como é sabido temos campeões olímpicos a varrerem escadas, mas futebolística. Parece que como povo temos sempre de gostar um pouco mais de futebol. As depressões colectivas são naturalmente uma consequência e um resultado mais do que natural. Fica a fotografia para elevar o espírito e procurar novas formas de vida, na minha opinião bem mais belas e inteligentes.

Wednesday, May 18, 2005

A Cradle Song - William Blake

foto by Lisa Nola Posted by Hello


Sweet dreams form a shade,
O'er my lovely infants head.
Sweet dreams of pleasant streams,
By happy silent moony beams

Sweet sleep with soft down.
Weave thy brows an infant crown.
Sweet sleep Angel mild,
Hover o'er my happy child.

Sweet smiles in the night,
Hover over my delight.
Sweet smiles Mothers smiles,
All the livelong night beguiles.

Sweet moans, dovelike sighs,
Chase not slumber from thy eyes,
Sweet moans, sweeter smiles,
All the dovelike moans beguiles.

Sleep sleep happy child,
All creation slept and smil'd.
Sleep sleep, happy sleep.
While o'er thee thy mother weep

Sweet babe in thy face,
Holy image I can trace.
Sweet babe once like thee.
Thy maker lay and wept for me

Wept for me for thee for all,
When he was an infant small.
Thou his image ever see.
Heavenly face that smiles on thee,

Smiles on thee on me on all,
Who became an infant small,
Infant smiles are His own smiles,
Heaven & earth to peace beguiles.

Tuesday, May 17, 2005

"As Boas Raparigas" vendem espólio

Mais uma companhia teatral do Porto à beira da falência. "As Boas Raparigas" reservaram o dia de hoje, no qual deveriam estrear "A Lei de Sócrates", sobre textos de Platão, para uma venda de garagem. É a luta pela sobrevivência. Com apoios do IA congelados e com os bancos a negarem empréstimos, a companhia não tem dinheiro para pagar a renda no próximo mês. Conversei com Maria do Céu Ribeiro sobre o futuro das "Boas Raparigas". O cenário mais do que incerto permanece cada vez mais sombrio.

Monday, May 16, 2005

FITEI pede crédito bancário para sobreviver

O mais antigo festival de teatro realizado em território nacional, o FITEI só se realiza este ano por que a organização do evento pediu crédito bancário no valor de 130 mil euros. O apoio de 165 mil (82.5% do orçamento total) resultante do concurso do Instituto das Artes e os 25 mil da Câmara Municipal do Porto ainda não entraram nos cofres do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica. A versão 2005 arranca dia 31, no TNSJ, e termina a 12 de Junho, no Rivoli, do Porto, naturalmente. Vários espectáculos, como "D. Quichotte", dos franceses Plasticiens Volants, tiveram mesmo de ficar na gaveta.

The Nevermet Ensemble: "Quarto Escuro"

Posted by Hello


Os músicos nunca se encontraram até o disco estar completamente gravado. Nem sequer se conheciam. Para a formação do Nevermet Ensemble foram disparados convites «às escuras» pela Internet, respondidos com envelopes recheados de sons vindos de desconhecidos da Bélgica, de Espanha, Estados Unidos, França, Itália, e do Japão, para serem misturados num pequeno quarto algures em Lisboa. Conferir em www.rudimentol.com/nevermet.html

A Better Resurrection - Sylvia Plath

Posted by Hello


I have no wit, I have no words, no tears;
My heart within me like a stone
Is numbed too much for hopes or fears;
Look right, look left, I dwell alone;
A lift mine eyes, but dimmed with grief
No everlasting hills I see;
My life is like the falling leaf;
O Jesus, quicken me.

Saturday, May 14, 2005

O requiem das companhias teatrais do Porto

É uma morte lenta e há muito anunciada. Há vários meses, através de repetidos "posts" tenho vindo a alertar para o desespero em que se encontram grande parte das estruturais teatrais da cidade do Porto e lançado algumas reflexões sobre a eterna problemática da subsídio-dependência. Agora parece que de repente estalou o verniz e a pedra finalmente atingiu o charco. Com a associação cultural Panmixia a congelar a já cinco meses atrasada atribuição dos subsídios do IA através de uma autista providência cautelar, que a única coisa que serve é para adiar ainda mais a concretização dos referidos apoios, várias companhias da cidade estão em já a vender roupas e cenário para sobreviver, enquanto outras, para além de se limitarem a encenar monólogos, olham para uma suspensão de actividades como algo praticamente inevitável. Ontem a Plateia veio de Lisboa com uma boa notícia. O Ministério da Cultura comprometeu-se a pagar os apoios ou parte deles imediatamente depois da decisão do Tribunal Administrativo sobre a dita providência cautelar, que enquanto não for indeferia mantém em suspenso o concurso do IA e os cofres das companhias vazios. Falei com vários responsáveis pelo teatro no Porto e o desespero é quase total. Acaba por ser patético o MC afirmar que os fundos estão prontos com cinco meses de atraso e não deixa de ser ainda mais lamentável que uma companhia que ficou de fora dos concursos acabe por prejudicar as restantes 20. Na realidade, como já tinha comentado, num país onde o Orçamento de Estado para a cultura se reduz a apenas 0,6 por cento, tentar subsídiar a criação artística é como tentar cobrir um elefante com um lenço de papel. É verdade que no Porto, provavelmente existe uma inflação de companhias teatrais, mas, no entanto, o norte do país tem de receber, tendo em conta o sua densidade populacional, um valor que se aproxime da média nacional. Este ano ficou muito abaixo do que seria moral e estatisticamente recomendável. Sei, no entanto, que o alguns responsáveis do MC estão a pensar em alterar as regras dos concursos. Na realidade, o problema está na dimensão do bolo. Mudam-se as regras, de pouco vai adiantar, todos os anos alguném tem de ficar de fora e as migalhas a distribuir continuam a ser o que são migalhas. Sem querer ser populista, acredito que necessitamos de mais cultura e menos submarinos, mais choques artísticos do que tecnológicos.

Friday, May 13, 2005

"Espelho Mágico" de Manoel de Oliveira

Terminaram ontem no Porto as filmagens com actores do mais recente trabalho cinematográfico de Manoel de Oliveira. Tive a oportunidade de apanhar as últimas rodagens em território nacional, conversar com o realizador e com alguns elementos do elenco e equipe técnica. "Espelho Mágico" é a adaptação de "A Alma dos Ricos", segundo capítulo da triologia de Agustina Bessa-Luís iniciada com "O Princípio da Incerteza". Tratado dentro e fora do plateau como o Mestre, Oliveira filma como um artesão. A trabalhar pela primeira vez com Manuel Cadilhe, da Filbox, que assim sucede a Paulo Branco, com quem Oliveira colaborou desde "Francisca" (1981) a "O Quinto Império: Ontem como Hoje" (2004), o decano dos realizadores portugueses revela-se mais activo que nunca, confessando-se a correr contra o tempo. Obedecendo e reinterpretando a obra original, Oliveira recupera o essencial da narrativa de "Alma dos Ricos". Já com José Luciano fora da prisão, a filme gira em torno do desejo da abastada Alfreda em experienciar uma aparição da Virgem Maria. O ex-recluso, filho da governanta da casa terá de entrar em contacto com toda extensão e profundidade dos delírios, vícios e desesperos que habitam a alma dos ricos. Ricardo Trepa (neto do realizador), Leonor Baldaque, Leonor Silveira, Isabel Ruth formalizam parte do elenco. Estreia mundial está agendada para Setembro no Festival de Veneza. O público português terá a oportunidade de ver os primeiros reflexos do "Espelho Márgico" em Outubro/Novembro, via Lusomundo. Cinema de qualidade internacional feito em Portugal com 1.7 milhões de euros. Nos EUA, "Constantine" custou 350 milhões e daqui a dois anos já ninguém se lembra do título. A obra de Oliveira, essa fica bem para além do imediato e dos sucessos de bilheteira. Há quem adormeça a ver "Vale Abraão", mas há quem adormeça a fazer amor.

Thursday, May 12, 2005

Nine Inch Nails: With Teeth

Posted by Hello


O regresso à dentada de um génio. Trent Reznor "is back" "With Teeth". Finalmente um álbum que vale mesmo a pena comprar. Seis anos depois do duplo "Fragile" vale a pena morder a mão que nos alimenta, apesar de fenómenos como Marilyn Manson ou Ministry terem conquistado terreno no metal, o rock ainda vive com peso e perfeição industrial. "All the Love in the World", "The Hand That Feed", "Love Is Not Enough" e "Only" são apenas alguns temas em destaque. "With Teeth" dos Nine Inch Nails é um dos álbuns a ter em atenção este ano.