Wednesday, June 15, 2005

"Obscuro Domínio", Eugénio de Andrade

Amar-te assim desvelado
entre barro fresco e ardor.
Sorver entre lábios fendidos
o ardor da luz orvalhada.

Deslizar pela vertente
da garganta, ser música
onde o silêncio aflui
e se concentra.

Irreprimível queimadura
ou vertigem desdobrada
beijo a beijo,
brancura dilacerada.

Penetrar na doçura da areia
ou do lume,
na luz queimada
da pupila mais azul,

no oiro anoitecido
entre pétalas cerradas,
no alto e navegável
golfo do desejo,

onde o furor habita
crispado de agulhas,
onde faça sangrar
as tuas águas nuas.

Monday, June 13, 2005

Eugénio de Andrade

Faleceu hoje de madrugada um dos maiores poetas de sempre da língua portuguesa: Eugénio de Andrade. Recordo-me ainda este ano, por altura do seu 82 aniversário, do encontro-celebração da vida do autor de "Escrita da Terra", na Fundação Eugénio de Andrade, na Foz, a 19 de Janeiro. De Manuel António Pina a Arnaldo Saraiva, de jovens talentos como Rui Lage, a casa/funcdação do poeta transformou-se num pequeno ninho para tão grande e sentida homenagem. Como no Porto, os escritores movem-se em "capelas", naturalmente alguns nomes que agora aparecem na televisão a elogiar o poeta não compareceram a festa de aniversário. Homem de esquerda, Eugénio produziu alguns do mais belos poemas que alguma vez tive a oportunidade de ler. A terra, o mar, o corpo e a figura da mãe são temas ou paisagens transversais numa obra notável que ao longo desta semana terei o cuidado, e espero o tempo, para revisitar aqui no blog. O país, visto como a língua portuguesa, fica a partir de hoje mais pobre. No entanto, importa ler e saborear a lírica de Eugénio.

Adeus - Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

Friday, June 10, 2005

Dia de Camões

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim coa alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
(e) o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.


"Sonetos de Camões", escolhidos por Eugénio de Andrade, Ed. Assírio & Alvim

Thursday, June 09, 2005

"Sin City" ou como fabricar um "blockbuster" sem sair de casa

Posted by Hello

É uma das estreias da semana. Volvidos pouco mais de dois meses sobre a "premier" em Hollywood, "Sin City" já arrecadou nos EUA mais de 73 milhões de dólares, preparando-se em breve para duplicar o investimento inicial de 40 milhões. Mas para além dos números, "Sin City", a mais recente extravagância audiovisual de Robert Rodriguez, triunfa por vários elementos de interesse que podem gerar uma nova vaga de realizadores e abalar parcialmente os estúdios de LA. Volvida mais de uma década sobre "Mariachi" para o qual Rodriguez teve de trabalhar como cobaia em laboratórios farmacêuticos, juntando os modestos sete mil dólares para a produção rodada em apenas de 20 dias, algures numa vila na fronteira com México, o realizador do "Aberto Até de Madrugada", conhecido como "do-it-yourself" e pela amizade com Tarantino, conquistou uma independência e vários milhares de dólares com "Spy Kids". Para produzir O primeiro dos três episódios "Sin City", Rodriguez só teve de juntar o mago da Marvel Frank Miller, 40 milhões de dólares e fechar-se na sua mansão em Austin, Texas. Virando as costas aos estúdios de Hollywood, "Sin City" foi rodado na garagem naturalmente azul e em formato digital com as estrelas a habitarem conforme a disponibilidade e set caseiro de Rodriguez. Pré-montagens dirigida por Miller, sucessso garantido nas bilheteiras pela presença de Bruce Willis e aplauso da crítica pela estética "noir" do Miller menos "mainstream". A proposta triunfa em duplo sentido, mostrando aos estúdios de Hollywood que, tal como as grande editoras, a tecnologia e a arte não jogam a seu favor.

Monday, June 06, 2005

"Xadrez", Vieira da Silva Posted by Hello

O fenómeno José Gil

D´ "As Causas da Decadência dos Povos Penínsulares", de Antero de Quental, a "Portugal, Hoje: o Medo de Existir", de José Gil, passando por "Portugal Como Destino seguido de Mitologia da Saudade", Eduardo Lourenço, o universo ensaístico nacional tem produzido múltipas reflexões sobre o Pensar e a Mentalidade portuguesa em áreas tão diversas como a religiosa, cultural e socio-política. Actualmente, com José Gil transformado em fenómeno mediático, com o seu mais recente ensaío, que vai já na 7ª edição em apenas seis meses, e a conhecer leitores em vários e insuspeitos estratos sócio-culturais, importa situar o fenómeno e contextualizar uma "hype" que, se por um lado, tem aspectos sinceramente positivos, sobretudo no que diz respeito à aproximação do pensamento filosófico e do ensaío crítico ao leitor de domingo à tarde, resulta, por outro lado, de factores menos felizes e que se podem caracterizar pela tendência para a autoflagelação, em tempos de crise económica e identitária. Alegro-me pela popularidade do autor e da obra em particular, mas coloco reticências em relação à quantidade de novos admiradores que terão a "bagagem" para consumir outras propostas ensaísticas de José Gil, bem mais complexas como "As Metamofoses do Corpo". Portugal ainda sobre de uma crise educacional crónica. Temo ainda que a esfera mediática que há muito consumiu a pública, aniquilando qualquer espaço sério de debate e reflexão crítica, remetendo a opinião para os sacerdotes do costume, Eduardo Prado Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa e Miguel Sousa Tavares, entre outros, acabe, como mecanismo de autodefesa, por transformar Gil numa espécie figura contemplativa e iconográfica. A palavra vive do encontro surpreendente e arrebatador; da acção consequente e inovadora. Enquanto os filósofos pensam a realidade não pode continuar a passear-se distante do Homem.

Sunday, June 05, 2005

As birras da ministra e as tácticas "ocultas" de Rio

Ontem o Porto assistiu a mais uma revelação das lamentáveis tácticas políticas de Rio. À espera da ministra da Cultura, que decidiu participar, a título particular, na mais do que merecida homenagem a esse vulto do pensamento português do séc. XX, Óscar Lopes, estavam na entrada do palácio de cristal, dois cartazes que pediam à ministra para acabar com a birra e deixar contruir o buraco de Ceuta. Pelo tamanho e proximidade com os panéis da Feira do Livro do Porto, prontamente o vice.presidente da APEL, Jorge Araújo, se encarregou de pedir desculpas à ministra, demarcando-se das mensagens, afirmando mesmo que entrou em contacto com os responsável pelo Palácio, pedindo para que retirassem os cartazes, ao que estes responderam que tinham autorização da Câmara Municipal do Porto. Estamos perante a táctica que surpreende pela infantilidade e cobardia. Sem qualquer movimento popular que suporte a colocação de tais mensagens, ter um autarca a usar o equipamento municipal e um evento literário para enviar mensagens aos governanentes e fazer campanha eleitoral pela negativa roça o caricático e releva uma falta de estatura política sem precedentes. Naturalmente será escusado dizer que nenhum representante da CMP se dignou assumir a autoria dos cartazes e comparece à homenagem de um homem do Porto que se afirma como um dos maiores vultos do ensaísmo, crítica literária, linguística e pensamento contemporânea. A cultura autarquica fica-se pelo insulto anónimo e pelas festas das rádios pimpa da cidade.

Saturday, June 04, 2005

Crítica às condecorações de Sampaio

Tendo como pano de fundo o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, ficam, duas sugestões alternativas aos nomes ontem divulgados na comunicação social e que serão condecorados, no dia 10, por Jorge Sampaio. Em vez da nova estrela do marketing internacional José Mourinho, proponho a atleta olímpica e campeã nacional Teresa Machado, que actualmente lava escadas para sobreviver. Em vez da apresentadora televisiva e aspirante a actriz, Catarina Furado, cujo contributo cultural para o nosso país tem sido e continua a ser nulo, proponho "As Boas Raparigas", que tiveram de vender parte do espólio para sobreviver... Os verdadeiros vencedores portugueses são os exemplos de talento e sobrevivência cá dentro e não de sucesso mediático lá fora.

Friday, June 03, 2005

Serralves reactualiza Festa versão 2005

Depois do sucesso da primeira edição, com mais de 40 mil visitantes, Serralves oferece a versão 2005 à cidade, mas com assinaláveis alterações estruturais. A primeira nasce do embaraço 2004 chamado Televison. O concerto pago acabou por não resultar em termos sonoros e de público. Este ano, evita-se os concertos chocolate, simplifica-se, com 160 mil euros da Unicer não há necessidade alguma de cobrar bilhetes. Outra das reactulização retira à noite de sábado alguma da animação que teve no ano passado. Na realidade a presença de banda da cidade, como Plaza e um conjunto de propostas sonoras "afterhours" interessantes transformou Serralves numa espécie de "disco out of control". Este ano simplifica-se, três DJ reinam até às 06h00, nada de bandas ao vivo pela noite dentro. Triunfam as parcerias com TNSJ, ACE, FITEI, ONP entre muitas outras. Música, Dança, Teatro, exposições, debates e muita animação a partir das 08h00 de amanhã até à meia.noite de domingo. Apesar de menos nutritiva, a Festa de Serralves não deixa de ser um "local" interessante para viajar este fim-de-semana.

"Fairy Land i", William Shakespeare

"Hill of Montmartre with Quarry", Van Gogh, 1886 Posted by Hello


Over hill, over dale,
Thorough bush, thorough brier,
Over park, over pale,
Thorough flood, thorough fire,
I do wander everywhere,
Swifter than the moone's sphere;
And I serve the fairy queen,
To dew her orbs upon the green:
The cowslips tall her pensioners be;
In their gold coats spots you see;
Those be rubies, fairy favours,
In those freckles live their savours:
I must go seek some dew-drops here,
And hang a pearl in every cowslip's ear.

Thursday, June 02, 2005

Fim-de-semana em grande no Porto

Depois da abertura do FITEI versão 2005, no TNSJ, que contou com as presenças de Mário Dorminsky/Beatriz Pacheco Pereira, Regina Guimarães/Seguenail, Isabel Alves Costa, José Cruz dos Santos, Jaime Azinheira, João Luís entre outros, o próximo fim-de-semana no Porto promete ser de grande actividade a nível cultural. Para além do FITEI, Serralves promete 40 horas de festa e o Festival da Fábrica, de Alberto Magno, apresenta alguns dos melhores movimentos de dança contemporânea da actualidade. Entretanto a Feira do Livro continua a promover o prazer da leitura no Pavilhão Rosa Mota. Junho não poderia ter começado da melhor maneira. Motivos não faltam para desligar a televisão e sair de casa para saborear algumas das propostas em cartaz para este fim-de-semana no Porto.

Tuesday, May 31, 2005

Artigo da semana: Blogs na reconstrução da história norte-americana

A importância dos blogs na reconstrução da história norte-americana. "Art, blogs bare souls of yet another fighting generation" é um artigo/editorial notável publicado no USA Today sobre a forma com os soldados estão a partilhar as suas experiências de guerra na blogosfera, a ultrapassar a censura dos media. Partindo do poema "Leaves of Grass", de Walt Whitman, uma visão de como a arte pode ser mais verdadeira "than the real thing".

Walt Whitman: Leaves Of Grass. A Carol Of Harvest For 1867

"War or Discord on Horseback", 1894, Douanier Rousseau Posted by Hello


A SONG of the good green grass!
A song no more of the city streets;
A song of farms--a song of the soil of fields.

A song with the smell of sun-dried hay, where the nimble pitchers
handle the pitch-fork;
A song tasting of new wheat, and of fresh-husk'd maize.

For the lands, and for these passionate days, and for myself,
Now I awhile return to thee, O soil of Autumn fields,
Reclining on thy breast, giving myself to thee,
Answering the pulses of thy sane and equable heart,
Tuning a verse for thee. 10

O Earth, that hast no voice, confide to me a voice!
O harvest of my lands! O boundless summer growths!
O lavish, brown, parturient earth! O infinite, teeming womb!
A verse to seek, to see, to narrate thee.

Ever upon this stage,
Is acted God's calm, annual drama,
Gorgeous processions, songs of birds,
Sunrise, that fullest feeds and freshens most the soul,
The heaving sea, the waves upon the shore, the musical, strong waves,
The woods, the stalwart trees, the slender, tapering trees, 20
The flowers, the grass, the lilliput, countless armies of the grass,
The heat, the showers, the measureless pasturages,
The scenery of the snows, the winds' free orchestra,
The stretching, light-hung roof of clouds--the clear cerulean, and
the bulging, silvery fringes,
The high dilating stars, the placid, beckoning stars,
The moving flocks and herds, the plains and emerald meadows,
The shows of all the varied lands, and all the growths and products.

Fecund America! To-day,
Thou art all over set in births and joys!
Thou groan'st with riches! thy wealth clothes thee as with a swathing
garment! 30
Thou laughest loud with ache of great possessions!
A myriad-twining life, like interlacing vines, binds all thy vast
demesne!
As some huge ship, freighted to water's edge, thou ridest into port!
As rain falls from the heaven, and vapors rise from earth, so have
the precious values fallen upon thee, and risen out of thee!
Thou envy of the globe! thou miracle!
Thou, bathed, choked, swimming in plenty!
Thou lucky Mistress of the tranquil barns!
Thou Prairie Dame that sittest in the middle, and lookest out upon
thy world, and lookest East, and lookest West!
Dispensatress, that by a word givest a thousand miles--that giv'st a
million farms, and missest nothing!
Thou All-Acceptress--thou Hospitable--(thou only art hospitable, as
God is hospitable.) 40

When late I sang, sad was my voice;
Sad were the shows around me, with deafening noises of hatred, and
smoke of conflict;
In the midst of the armies, the Heroes, I stood,
Or pass'd with slow step through the wounded and dying.

But now I sing not War,
Nor the measur'd march of soldiers, nor the tents of camps,
Nor the regiments hastily coming up, deploying in line of battle.

No more the dead and wounded;
No more the sad, unnatural shows of War.

Ask'd room those flush'd immortal ranks? the first forth-stepping
armies? 50
Ask room, alas, the ghastly ranks--the armies dread that follow'd.

(Pass--pass, ye proud brigades!
So handsome, dress'd in blue--with your tramping, sinewy legs;
With your shoulders young and strong--with your knapsacks and your
muskets;
--How elate I stood and watch'd you, where, starting off, you
march'd!

Pass;--then rattle, drums, again!
Scream, you steamers on the river, out of whistles loud and shrill,
your salutes!
For an army heaves in sight--O another gathering army!
Swarming, trailing on the rear--O you dread, accruing army!
O you regiments so piteous, with your mortal diarrhoea! with your
fever! 60
O my land's maimed darlings! with the plenteous bloody bandage and
the crutch!
Lo! your pallid army follow'd!)

But on these days of brightness,
On the far-stretching beauteous landscape, the roads and lanes, the
high-piled farm-wagons, and the fruits and barns,
Shall the dead intrude?

Ah, the dead to me mar not--they fit well in Nature;
They fit very well in the landscape, under the trees and grass,
And along the edge of the sky, in the horizon's far margin.

Nor do I forget you, departed;
Nor in winter or summer, my lost ones; 70
But most, in the open air, as now, when my soul is rapt and at
peace--like pleasing phantoms,
Your dear memories, rising, glide silently by me.

I saw the day, the return of the Heroes;
(Yet the Heroes never surpass'd, shall never return;
Them, that day, I saw not.)

I saw the interminable Corps--I saw the processions of armies,
I saw them approaching, defiling by, with divisions,
Streaming northward, their work done, camping awhile in clusters of
mighty camps.

No holiday soldiers!--youthful, yet veterans;
Worn, swart, handsome, strong, of the stock of homestead and
workshop,
Harden'd of many a long campaign and sweaty march, 80
Inured on many a hard-fought, bloody field.

A pause--the armies wait;
A million flush'd, embattled conquerors wait;
The world, too, waits--then, soft as breaking night, and sure as
dawn,
They melt--they disappear.

Exult, indeed, O lands! victorious lands!
Not there your victory, on those red, shuddering fields;
But here and hence your victory.

Melt, melt away, ye armies! disperse, ye blue-clad soldiers!
Resolve ye back again--give up, for good, your deadly arms; 90
Other the arms, the fields henceforth for you, or South or North, or
East or West,
With saner wars--sweet wars--life-giving wars.

Loud, O my throat, and clear, O soul!
The season of thanks, and the voice of full-yielding;
The chant of joy and power for boundless fertility.

All till'd and untill'd fields expand before me;
I see the true arenas of my race--or first, or last,
Man's innocent and strong arenas.

I see the Heroes at other toils;
I see, well-wielded in their hands, the better weapons. 100

I see where America, Mother of All,
Well-pleased, with full-spanning eye, gazes forth, dwells long,
And counts the varied gathering of the products.

Busy the far, the sunlit panorama;
Prairie, orchard, and yellow grain of the North,
Cotton and rice of the South, and Louisianian cane;
Open, unseeded fallows, rich fields of clover and timothy,
Kine and horses feeding, and droves of sheep and swine,
And many a stately river flowing, and many a jocund brook,
And healthy uplands with their herby-perfumed breezes, 110
And the good green grass--that delicate miracle, the ever-recurring
grass.

Toil on, Heroes! harvest the products!
Not alone on those warlike fields, the Mother of All,
With dilated form and lambent eyes, watch'd you.

Toil on, Heroes! toil well! Handle the weapons well!
The Mother of All--yet here, as ever, she watches you.

Well-pleased, America, thou beholdest,
Over the fields of the West, those crawling monsters,
The human-divine inventions, the labor-saving implements:
Beholdest, moving in every direction, imbued as with life, the
revolving hay-rakes, 120
The steam-power reaping-machines, and the horse-power machines,
The engines, thrashers of grain, and cleaners of grain, well
separating the straw--the nimble work of the patent pitch-fork;
Beholdest the newer saw-mill, the southern cotton-gin, and the rice-
cleanser.

Beneath thy look, O Maternal,
With these, and else, and with their own strong hands, the Heroes
harvest.

All gather, and all harvest;
(Yet but for thee, O Powerful! not a scythe might swing, as now, in
security;
Not a maize-stalk dangle, as now, its silken tassels in peace.)

Under Thee only they harvest--even but a wisp of hay, under thy great
face, only;
Harvest the wheat of Ohio, Illinois, Wisconsin--every barbed spear,
under thee; 130
Harvest the maize of Missouri, Kentucky, Tennessee--each ear in its
light-green sheath,
Gather the hay to its myriad mows, in the odorous, tranquil barns,
Oats to their bins--the white potato, the buckwheat of Michigan, to
theirs;
Gather the cotton in Mississippi or Alabama--dig and hoard the
golden, the sweet potato of Georgia and the Carolinas,
Clip the wool of California or Pennsylvania,
Cut the flax in the Middle States, or hemp, or tobacco in the
Borders,
Pick the pea and the bean, or pull apples from the trees, or bunches
of grapes from the vines,
Or aught that ripens in all These States, or North or South,
Under the beaming sun, and under Thee.

Monday, May 30, 2005

FITEI 2005

Arranca amanhã, dia 31, a 28ª edição do FITEI. O mais antigo festival de teatro realizado em Portugal acolhe na inauguração da versão 2005, "Berenice", de Racine, proposta do D. Maria II de Lisboa, traduzida por Vasco Graça Moura, com música de Mário Laginha e a actriz Beatriz Batarda em destaque. Seguem-se 16 espectáculos em 13 dias. Conversei hoje com Mário Moutinho e, sinceramente, considero a programação bastante mais equilibrada do que a 2004, onde as peças brasileiras dominaram todo o certame. Apesar de todos os problemas orçamentais, ligados, inevitavelmente, a mais do que reportada crise do IA, com empréstimos bancários pelo meio, fica a chamada de atenção para a abertura de um festival que merece atenção da crítica e essencialmente presença do público.

Thursday, May 26, 2005

"Pessoas Como Nós", Margarida Rebelo Pinto

Posted by Hello


"Os homens nem sempre avançam, nem sempre atacam. Alguns preferem esperar, deixar que o tempo lhes traga o que mais precisam, para nunca terem de tomar decisões. O Fred é assim, como um lobo, e os lobos preferem morrer de fome a cometer um erro. Ele nunca dará um passo em frente."

Wednesday, May 25, 2005

Como tornar-se num escritor de sucesso sem ter lido um livro em toda a sua vida - parte 1

Inspirado na abertura das feiras no livro de Lisboa e Porto.
Escolha com precisão cirúrgica um público alvo. Esqueça-se de si. Coloque-se sempre sempre leitor em primeiro lugar. Exemplo: se decidir tornar-se num escritor urbano-realista, com olhos colocados no público feminino, siga o magnífico e bem sucedido exemplo de Margarida Rebelo Pinto e coloque imediatamente de lado palavras com mais de quatro ou cinco sílabas. Simplifique. Se lhe faltar inspiração, corra para a cabeleireira mais perto de si e permaneça atento às conversas da clientela ou siga para uma loja de decoração de interiores e preste atenção aos dramas familiares da classe média com aspirações a alta. Não tenha medo nem pudor, leve um bloco de notas consigo. Não confie na sua memória. Defina os personagens de forma o mais estereotipada possível. Figuras planas, com o mínimo de densidade psicológica possível. Exemplo: Mulher atraente, loira de 38 anos, licenciada em recursos humanos, vive com engelheiro informático que trabalha para uma empresa de telecomunicações. Subitamente, encontra no ginásio um chefe do departamento de marketing de uma multinacional de produtos de beleza que teima em convidá-la para uma sessão fotográfica para o próximo catálogo Primavera/Verão, pois não acredita que nossa heroína não seja ou tenha sido uma modelo. Entre dentro da mente desta fantástica mal aproveitada mulher. Defenda com unhas e dentes o seu dilema, se necessário for coloque suspeitas sobre o marido que poderá muito bem ter uma ou duas amantes. Crie mistério. Nunca que esqueça de descrever com pormenor corpos, rostos e cheiros dos personagens.

Tuesday, May 24, 2005

Gorillaz: o regresso da macacada

Posted by Hello


Dias do demónio chegam numa renovação hip-pop que promete novos rumos para a MTV. Os N.E.R.D. que se cuidem, os macacos estão mesmo de volta e reclamam para si um território que lhe pertence por direito próprio. É a lei da selva audiovisual, as vitimas serão inevitavemente sacrificadas nos novos altares do cabo. A cores do imaginário colectivo do público 3G jogam a favor dos Gorillaz, as "playlists" vão na mesma onda e seguem dentro de momentos. O reino da virtualidade digital triunfa em toda a sua extensão e profunidade.

Thursday, May 19, 2005

A asfixia do futebol no circo mediático

foto: Amit Gupta/Reuters Posted by Hello


Sinceramente gosto de futebol, apesar de apreciar outros desportos que me parecem bem mais exigentes e competitivos a nível técnico e táctico. Lamento a derrota de ontem do Sporting, no entanto, mais lamentável ainda é o tempo de antena dado pela RTP1 ao fenómeno desportivo, em geral, e à final da taça UEFA, em particular. O delírio audiovisual do canal de serviço público transformado em desfile de banalidades ocupou praticamente dois dias de emissão. Desde entrevistas à vendedora de gelados à porta do estádio até opiniões técnicas do jardineiro do Alvalade sobre as condições do relvado, aos especialistas de bancada, os jornalistas fizeram das tripas coração para fazer passar um tempo manifestamente superior à importância e efemeridade do encontro "per si". A ideia difundida pelos média, de que não há vida para além da bola, encontra em mim um adversário. Lamento a febre não desportiva, pois como é sabido temos campeões olímpicos a varrerem escadas, mas futebolística. Parece que como povo temos sempre de gostar um pouco mais de futebol. As depressões colectivas são naturalmente uma consequência e um resultado mais do que natural. Fica a fotografia para elevar o espírito e procurar novas formas de vida, na minha opinião bem mais belas e inteligentes.