Sunday, February 26, 2006
Friday, February 24, 2006
Thursday, February 23, 2006
Syriana: Tráfico de influências à Americana
É uma das estreias a não perder. Tive a oportunidade de comentar Syriana no início do mês numa sessão especial/matinal para críticos no NorteShopping. Obrigado Artur pelo convite. Mais recente proposta de Stephen Gaghan agrada à crítica europeia pela forma pseudo-jornalística como aborda uma tema quente: as relações perigosas entre o mundo da política e da economia, tendo o petróleo com moeda de troca. O argumentista de Traffic realiza um filme à Soderberg como o amigo de ambos Clooney em grande plano. Corrupção, crimes sem castigo, lobbies gigantescos a apoiarem golpes de estado no médio-oriente, tendo sempre como motor interesses de exploração de petróleo. Viagem pelo mundo da real politik à americana, num retrato denotativa dos falcões de Bush. Apesar de limitado enquanto proposta cinematográfica, Syriana encontra nos fãs de Soderberg, nos democratas norte-americanos e na esquerda europeia um auditório mais do que convincente. A narrativa semi-jornalística/documental continua a marcar pontos na sétima arte enquanto o "mainstream" audiovisual norte-americano, com CNN à cabeça, insistir em mostrar meias-verdades transformadas em mentiras de corpo inteiro.
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Anastácio Neto
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Sala de ensaios Inside-Out
Ontem passei a noite na sala de ensaios Inside-Out no C.A.C.E. Cultural do Porto, no Freixo. Conversei longas horas com os seus fundadores, Cláudio e Sofia. Sinceramente, impressionou-me a beleza do espaço, o poder de iniciativa dos jovens e a atmosfera positiva do projecto. Espero sinceramente que o espaço continue a crescer. A sala acolhe várias bandas da cidade e apresenta-se como um dos "spots" mais interessantes para ensaiar e aprender música. Convívio, alegria e um ambiente de partilha e amizade que merece ser conhecido. Um grande abraço para ambos. Espero que o sucesso continue a acompalhar-vos. O Porto merece espaços assim de interessantes e as bandas têm, de facto, necessidade e encontrarem "ninhos" de convívio, partilha de ideias e amizades com vista para o Rio Douro. Obrigado pela conversa, foi espectacular. Todo o sucesso. Até breve.
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Wednesday, February 22, 2006
Fantasporto´ 06
A festa do cinema regressa ao Porto entre os dias 20 de Fevereiro e 5 de Março. Do "quartel-general" no Rivoli com as Secções Oficiais e as Retrospectivas do Cinema Húngaro, do Expressionismo Alemão, de Bill Plymtpon e dos Irmão Shaw, ao Cinema Passos Manuel, onde está sediada a nova Secção do Festival, a "Love Connection", passando pelo Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, que acolhe o cinema de Bombaim, sem esquecer os cinemas AMC, no Arrábida Shopping, que projectam alguns dos melhores filmes mais comerciais da edição 06.
O cinema português abre, oficialmente, a 26ª edição do Fantasporto Festival Internacional de Cinema do Porto. O primeiro filme português a ter honras de abertura do
festival, "Coisa Ruim" de Tiago Guedes e Frederico Serra entra, também, em concurso na Secção Oficial de Cinema Fantástico. Para fechar com "chave de ouro", o Fantasporto 2006 recebe "Fragile". Depois do sucesso de "Los Sin Nombre" (Melhor Realização Fantas 2000) e "Darkness", o realizador espanhol Jaume Balagueró regressa ao cinema de terror. No principal papel do assustador "Fragile" encontramos a actriz Calista "AllyMcBeal" Flockhart.
A Secção Oficial de Cinema Fantástico conta com participações dos mais variados países. Para começar: Portugal. Dois filmes entram emcompetição. O já citado, "Coisa Ruim" de Tiago Guedes e Frederico Serra e "Animal" de Roselyne Bosch, uma co-produção com França e Diogo Infante no principal papel. Depois, um filme sueco de vampiros, leram bem, sueco e de vampiros:"Frostbiten" de Anders Banke. Ainda, o primeiro filme irlandês de zombies, "Dead Meat", de Conor McMahon, o regresso de Ivan Cardoso ao Fantas, "Um Lobisomem na Amazónia" e, entre muitos outros, o canadiano "Saints-Martyrs-des-Damnés" de Robin Auber. A 16ª Semana dos Realizadores do Fantasporto 2006 arrisca-se a ser a melhor de sempre! O vencedor da secção em 2003, Anders Thomas Jensen regressa com "Adam's Apple", o celebrizado realizador escocês, Michael Caton-Jones ("Rob Roy" e "City by the Sea") participa com a sua leitura dos a
contecimentos no Ruanda em 1994. Destaque, também, para "Domino", o mais recente filme de Tony Scott, realizador de "True Romance". O Expresso do Oriente volta a ter paragem obrigatória no Fantasporto. A 26ªdo Festival Internacional de Cinema do Porto escolheu algumas das mais acutilantes produções daquela cinematografia para figurarem no cartaz de2006. Este ano, a Secção Oficial Orient Express tem um repetente: Kim KiDuke em dose dupla. Primeiro, "The Bow", selecção oficial "Un CertainRegard",do Festival de Cinema de Cannes 2005. Depois, uma análise amarga da prostituição e das suas consequências em "Samaritan Girl". O realizador volta ao tema, depois de "O Bordel do Lago" (2000). Das Filipinas chega-nosuma mistura de "Memento", "O Sexto Sentido e "The Ring" em "The Echo".Em2004, Takashi Miike realizou "One Missed Call", já apresentado noFantas. Agora, o telemóvel do inferno está de regresso em "One Missed Call 2".
Cinema Português no Fantasporto
O cinema português entra com o pé direito no Fantasporto 2006. Foram tantosos filmes submetidos à 26ª edição que, este ano, o Fantas decidiu alongar as sessões de cinema nacional. Vamos ter quatro sessões cheias de filmes portugueses, isto para não falar das duas longas metragens em competição na Secção Oficial de Cinema Fantástico e já aqui afloradas: "Coisa Ruim" deTiago Guedes e Frederico Serra, e "Animal" de Roselyne Bosch, umaproduçãode António da Cunha Telles com Diogo Infante.De documentários, como "Vez", Martin Dale, jornalista/crítico de cinemada prestigiada revista de cinema "Variety", lança um olhar sobre Arcos deValdevez a filmes de ficção/video musical, como "Shine On" de Rui de Brito. A canção dos Blind Zero "Shine On", do álbum "The Night Before and a New Day" (2005) é o mote para a curta-metragem de Rui de Brito. Não esquecendo objectos estranhos, mas curiosamente interessantes e relevantes como "A Piscina" de Iao Viana, João Viana. Selecção Oficial do FestivalInternacional de Cinema de Veneza 2004. De entre a selecção portuguesa olhar atento para "A Rapariga da Mão Morta". O realizador Alberto Seixas Santos ("O Mal", 1999) deixa por breves instantes as longas-metragens e filma odrama da Rapariga da Mão Morta.
AS RETROSPECTIVAS
Cinema Húngaro. No ano de 2006, comemoram-se os 50 anos da Revolução Húngara que, em1956, desafiou o Poder soviético e acreditou ser possível uma revolta popular tomar o Poder e transformar o país numa democracia. O esmagamento dessa revolta pelos tanques do Pacto de Varsóvia, provou que estavam errados nas suas esperanças. Mas, os seus ideais estavam certos, mesmo se demoraram,ainda, 30 anos a concretizar-se. O Fantasporto junta-se à comemoração ededica uma das suas Retrospectivas ao cinema deste país. Nomes importantes como Istvan Szabo, Márta Meszáros e Miklos Jancsó, ou mais recentes, estrelas em ascensão, como Kornél Mundruzcó estão presentes com os seus melhores filmes.
Expressionismo Alemão.
Ao longo das suas vinte e cinco edições, o Fantasporto sempre dedicou aocinema alemão o lugar de destaque que esta cinematografia inegavelmentemerece pelos contr
ibutos inovadores que deu nestes cem primeiros anos docinema. Foi esse reconhecimento da "marca" alemã nos grandes momentos da história do cinema e nas grandes criações estéticas que revolucionaram a 7ªarte, que justificaram no Fantas importantes retrospectivas. Este ano, o Expressionimso Alemão tem um lugar de destaque? o Fantasporto 06 exibe filmes como "Metropolis" e "Dr Mabuse" de Fitz Lang, ou "Nosferatu" e "Fausto" de F. W. Murnau.
Irmãos Shaw
Sempre atento à cinematografia oriental, o Fantasporto investe agora nosmaiores produtores de cinema chinês os Irmãos Shaw. O cinema chinês comemorou 100 anos em 2005. Os Irmãos Shaw são uma parte fulcral dahistóriadesta cinematografia. Os seus filmes, que vão desde as artes marciais ekungfu, à ópera Huangmei, passando pela comédia. O Festival Internacional de Cinema do Porto mostra algumas das mais conceituadas obras produzidas pelos Shaw numa Retrospectiva a ver atentamente no Rivoli Teatro Municipal.
Bollywood e Love Connection.
Dois espaços emergem na programação do Fantas. Um deles é a Biblioteca Almeida Garrettt que recebe uma Retrospectiva do Cinema de Bombaim, maisconhecido por Bollywood o espectáculo do cinema, da música, do bailado, dacor e da coreografia, em filmes que são uma experiência única do audiovisual, com o volúpia envolvente das sensações E sempre em versão "extra large" de tempo. Bem como, uma exposição do artista belga Manú Gomezna Galeria da Biblioteca. Artista- cineasta, no ano passado foi Júri de uma das Secções Competitivas do Fantasporto. Manuel Gomez nasceu a 14 de Março de 1956, em Mont-sur-Marchienne, na Bélgica. Já expôs em Paris, e em muitos outros locais de França e no Palácio da UNESCO em Beirute. Em 1981ganhou o pré
mio de pintura dos Ateliers "Grand Hornu", para os jovens pintores. Como escultor, Gomez gosta de "explorar dimensões e sensações" estranhas ediferentes. Outro desses espaços é o Cinema Passos Manuel. A pouca distância do Rivoli, recebe uma nova Secção no Fantas, a "Love Connection". O objectivo é, basicamente, dar resposta a um conjunto de filmes que cada vez mais nos são propostos, com novas perspectivas sobre o amor, dos mais estranhos prazeres, de novas sexualidades, paixões intempestivas, amores marginais, bizarras formas de viver o sexo, perversões mais ou menos explícitas ou de perdições absolutas.
Homenagem a Manoel de Oliveira
O Fantasporto 2006 homenageia o realizador portuense, Manoel deOliveira, um dos maiores embaixadores da língua portuguesa no estrangeiro e patrono da Semana dos Realizadores do Festival Internacional de Cinema do Porto desde 1991.O Fantasporto exibe "O Espelho Mágico" (2005), o mais recente filme de Manoel de Oliveira. O realizador volta a adaptar Agustina Bessa-Luís ("O Princípio da Incerteza", 2002). Uma mulher deseja ver a Virgem Maria para lhe fazer algumas perguntas.
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Anastácio Neto
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Monday, February 20, 2006
Visita de Amigo
Tenho andado triste. Na verdade, há muito tempo que não escrevo no "vício", nem corro atrás de eventos culturais. Após o encerramento do "Comércio" uma nova fase se abriu na minha vida. Tenho meditado bastante nas curvas da existência. Acredito que temos de passar por algumas dificuldades para valorizarmos pormenores que passam ao lado na espuma dos nossos dias felizes. Os momentos difíceis possuem o dom de ciclicamente filtrarem o essencial do acessório. Actualmente, encontro-me num processo de "filtragem".
Todo o homem procura a felicidade. Existem ricos tristes e pobres contentes, gente doente com amor à vida e tranquilidade no olhar, pessoas saudáveis com olhos de medo e lágrimas escondidas. Acredito na felicidade enquanto trabalho interior. Conheci centenas de jovens no Perú oriundos de famílias com problemas sociais gravíssimos, mas com uma energia e força de viver impressionantes e "burgueses/narcisos" no Porto anestesiados com o seu reflexo no espelho, incapazes de sair de casa para serem qualquer coisa para além de uma imagem.
Acredito que cada ser humano tem um dom. Importa descobrir qual e colocá-lo ao serviço dos outros. Desistir de viver de acordo com as nossas qualidades é colocar a nossa felicidade em "stand by". Devemos aproveitar os nossos pontos fortes.
Gosto de escrever, de ser jornalista, de conhecer pessoas e divulgar arte, ajudar gente com talentos especiais na música, cinema, teatro. Nem sempre tenho oportunidade de o fazer. Por vezes, a vida obriga-nos a recuar um passo, certamente vou ganhar balanço para avançar dois. Necessitamos de não perder o optimismo, o cheiro dos sonhos e a autoestima de crianças apaixonadas.
PS: Ontem tomei café com um amigo. Nuno gostei tanto de te ver. Um abraço. Braga não fica assim tão longe.
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Anastácio Neto
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Monday, January 23, 2006
A guerra das rosas

Graças a Guerra das Rosas, Cavaco ganha a Presidência da República Portuguesa. Pela primeira vez, a Esquerda oferece Belém a uma social-democracia de "todos os portugueses". Inédito. Manuel tem razões para estar mais Alegre. Finalmente, Soares abandona a cena política pela porta dos fundos. Sócrates, esse, espera ansiosamente pelo regresso de Guterres, o caminho está mais do que aberto.
Gostei
de ver a SIC à porta de Cavaco, enviando recados para o interior do "bunker". "Se me está ouvir venha à janela". Desconcertante. Jornalismo "à americana" com toques provincianos tipo NTV. Afinal parece que o D. Sebastião mora em Lisboa e gosta de cantar "Grândola, Vila Morena". Quem diria. Os vizinhos dizem que é um extra-terrestre muito educado com poderes para "meter o país na ordem". Ao final da noite MIB invadiram o CCB. "Portugal Maior".
Na origem da tragédia mais do que anunciada está desde logo, a máquina PS que revelou um autismo típico dos aparelhos de Estado pouco habituados a ler a realidade política para além dos corredores do poder. Cavaco vai para Belém com bênção de Soares e de uma Esquerda de comadres tristes e ciumentas.
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Wednesday, November 02, 2005
Pensamento
"A vida é demasiado curta para ser pequena."
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Sunday, August 14, 2005
A "Alternativa" ao COMÉRCIO
Mês de Agosto promete momentos históricos para a imprensa "made in Portugal". Poderá "O Comércio do Porto" renascer das cinzas como cooperativa de jornalistas? A "Alternativa" já está em marcha. Novidades para breve...
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Saturday, July 30, 2005
Luto
"O Comércio do Porto" morre hoje com 151 anos. Portugal continental perde a seu mais antigo jornal, o Porto uma referência histórica, eu o meu emprego... Agosto não será um mês de férias, mas de luto pela perda física e emocional e de luta por um lugar de trabalho e sustento. Guardo memórias e reflexões sobre esta semana negra e desconcertante para mais tarde. Desculpem-me, mas sinceramente, ainda estou um pouco abalado... vi e senti gente que admiro, companheiros de trabalho, amigos, excelentes profissionais a chorarem de impotência e desespero... a forma como o pessoal está a ser despedido de um jornal centenário numa cidade invicta faz-me lembrar, com todo o respeito, os operários de uma qualquer multinacional do calçado a laborar no Bangladesh... é revoltante a lógica selvagem do lucro sem rosto nem moral e a impotência e, por vezes, cinismo de algum poder político.
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Thursday, July 28, 2005
Saldo da semana: compre um, leve dois
"O Comércio do Porto" e "A Capital"
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Momento Zen do dia
Entrevistar Dulce Pontes no Aeroporto Sá Carneiro sobre um concerto cancelado e um disco por editar...
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"9 Songs", Michael Winterbottom
Exercício de zapping entre National Geographic, Private e MTV2, "9 Songs" traduz o pior do cinema "indie" britânico. Depois do interessante "24 Hour Party People", Winterbotton recua na originalidade e apresenta um produto cansativo e pretensioso. "9 Canções" interrompidas por sexo e congeladas num iceberg com 69 minutos de banalidades. Black Rebel Morotcycle Club, The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Franz Ferdinand, Michael Nyman são algumas das vítimas.
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Sunday, July 24, 2005
Bonojour
Depois de uma semana plena de entrevistas chatas, entre belezas americanas de jazz/botox e hip-hop barrista com sotaque do Porto... fim-de-semana de coma, reservado à digestão de "Bono por Bono". Livro-entrevista de Assayas. Enquanto não chega a Nobel da Paz, trabalho forçado de arquelogia pop dos últimos 20 anos para consumo de fãs "harcore", com poucas revelações pelo caminho. Postura diplomática, estética "cool" de Bono ganham terreno à estrela rock que em página alguma chega a tirar os óculos D&G. Fixada a imagem de activista e católico, o registo afirma-se como um exercício paparazzi onde entrevistador e entrevistado ganham o que o leitor perde: uma oportunidade para repensar estruturas pop num contexto de criatividade industrial e ideologias instantâneas.Após noite de caipirinhas com amigos, transformei a minha sala num aeroporto tipo OTA e consumi o livro de Bono enquanto esperava pelo próximo voo com destino a umas merecidas férias. Mesmo ouvindo "Dismantle" com olhos postos nos anos 80, seguindo receita médica (ac) não consigo evitar um gosto amargo no canto da boca. Mesmo com bilhetes acessíveis e viagens pagas não vou a Alvalade como não fui a Miami. Ainda tenho gravadas no cérebro imagens da ZooTV. Regresso ao Futuro no meu dicionário é um filme do Spielberg.
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Thursday, July 21, 2005
Perplexidades
Hoje de manhã avistei um grupo de jovens a correr pela Rua da Alegria em direcção aos Aliados. Será que foi um arrastão?
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Wednesday, July 20, 2005
The Ultimate Architects, "Soma"
Resultado parcial de uma conversa antecipando o show-case na Fnac/Stª Catarina, Porto. O excelente "Soma", primeiro longa duração dos The Ultimate Architects, a servir de ponto de partida. D. Architect, líder do quinteto lisboeta, entre delírios cinematográficos de Cronenberg aos perigos da manotecnologia, uma viagem pelo imaginário de um dos projectos mais interessantes da electrónica nacional que pode ser acompanhada na integra no site dos Ultimate Architects ou na versão impresa do Comércio de dia 17.
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Monday, July 18, 2005
Crise no cinema: o verão de quase todos os descontentamentos
Actualmente Hollywood enfrenta a pior crise dos últimos 20 anos. Os aliens da "Guerra dos Mundos", "Batman" e o "Quarteto Fantástico" juntos não chegam para atrair mais público às salas de cinema. "Remakes" de qualidade duvidosa, aumento do preço dos bilhetes e ascensão do DVD são alguns amantes responsáveis por um divórcio que começa a preocupar a indústria. Se o séc. XX foi o da imagem cinematográfica, o XXI abre-se para outras paragens digitais. Na realidade, as salas de cinemas dos EUA e Canada estão cada vez mais vazias. As receitas de bilheteira em queda livre de 4,6 biliões de dólares para 4,2.Parte do problema reside precisamente pobreza do filmes e na incapacidade da indústria renovar temáticas. Se o ano passado foi aborrecido, 2005 é para esquecer. As propostas vindas dos EUA são simplesmente previsíveis. Ir ao cinema deixou de ser uma aventura para se transformar num passeio pelo parque. Em 2004, o ano foi salvo pelo "Homem-Aranha 2" que arrecadou 180 milhões de dólares e em apenas seis dias;
"A Paixão" de Mel Gibson que somou 370 milhões. Este ano seguem-se sequelas atrás de sequelas, adaptações da Marvel e o público já não quer saber de super-heróis, começando a perder a paciência e o interesse. Sobram comédias românticas e faltam ideias frescas, argumentos interessantes. Ir ao cinema é cada vez mais um exercício de previsibilidades. Os espectadores já não pedem para ser arrebatados, saindo das salas razoavelmente satisfeitos. O "ah não foi mau" substitui o "uau foi espectacular". Os cinemas europeus também não escapam à crise até por que 90 por cento dos filmes que exibem são "made in Hollywood". Na Alemanha as estatísticas apontam para uma queda de quase 20% na venda de bilhetes. Italia e França: 17%. Ao entrar no século XXI o cinema parece um entretenimento moribunda.
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Friday, July 15, 2005
Textos extraordinários: Descobertas alucinantes do programa da Casa da Música
"A música é a mais popular forma de arte entre os jovens músicos portugueses... As novas criações revelam ideias, emoções, gostos, influências, de uma sociedade em constante mutação, permeável a toda a informação que lhes chega através da Internet, da televisão, da rádio, dos jornais, das sms e das outras formas de arte."
Texto extraído do folheto "Programação Julho 2005", da Casa da Música, "Concurso Estado da Nação - 1ª Eliminatória, sexta-feira, dia 15".
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Casa da Música fecha para férias
Aparentemente, segundo o JN de hoje, a Casa da Música vai fechar na segunda quinzena de Agosto. A instituição encerra "para manutenção e limpezas profundas, mantendo-se aberta, apenas, a bilheteira para dar informações ao público", esclareceu o departamento de assessoria de imprensa ao JN, justificando: "entendemos que o período mais forte ocorre na primeira quinzena de Agosto, sendo a segunda, apenas, residual. Além disso, a própria cidade entra de férias nessa altura do ano". Palavras para quê. É Portugal no seu melhor estilo.
Depois de apenas pouco mais de três meses de trabalho a Casa da Música já necessita de "limpezas profundas"? Provavelmente ao nível do pessoal, acrescento. "A própria cidade entra de férias nessa altura do ano" é uma desculpa provinciana que releva toda a falta de ambição de um projecto de Estado.
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Anastácio Neto
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Publicidade na televisão
"Se compro um Picasso, isso não me dá o direito de o cortar ou de pintar sobre ele e alterar as suas cores sob o pretexto de que é meu, de que o paguei e me pertence", Woody Allen.
"Interromper um filme, mortifica-lo com a inserção de spots publicitários, é uma acção criminal que deve ser regulada pelo código penal", Federico Fellini.
Estreia hoje na Espanha documentário "Cineastas contra magnates" do realizador catalão Carlos Benpar. Ler crítica no El pais.
Acrescentaria relativamente à penosa questão da inserção de spots publicitários entre filmes e da respectiva anulação de formato e créditos, de que, em Portugal, esta realidade conhece na TVI o melhor dos exemplos. É provavelmente o único canal exclusivamente dedicado à publicidade, embora por vezes, a interrompa com alguns filmes e telenovelas de gosto duvidoso. Sinceramente já não tenho paciência.
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