Thursday, May 19, 2005

A asfixia do futebol no circo mediático

foto: Amit Gupta/Reuters Posted by Hello


Sinceramente gosto de futebol, apesar de apreciar outros desportos que me parecem bem mais exigentes e competitivos a nível técnico e táctico. Lamento a derrota de ontem do Sporting, no entanto, mais lamentável ainda é o tempo de antena dado pela RTP1 ao fenómeno desportivo, em geral, e à final da taça UEFA, em particular. O delírio audiovisual do canal de serviço público transformado em desfile de banalidades ocupou praticamente dois dias de emissão. Desde entrevistas à vendedora de gelados à porta do estádio até opiniões técnicas do jardineiro do Alvalade sobre as condições do relvado, aos especialistas de bancada, os jornalistas fizeram das tripas coração para fazer passar um tempo manifestamente superior à importância e efemeridade do encontro "per si". A ideia difundida pelos média, de que não há vida para além da bola, encontra em mim um adversário. Lamento a febre não desportiva, pois como é sabido temos campeões olímpicos a varrerem escadas, mas futebolística. Parece que como povo temos sempre de gostar um pouco mais de futebol. As depressões colectivas são naturalmente uma consequência e um resultado mais do que natural. Fica a fotografia para elevar o espírito e procurar novas formas de vida, na minha opinião bem mais belas e inteligentes.

2 comments:

Analepse said...

Infelizmente esta tendência para encher de banalidades o tempo televisivo parece ser para ficar e é pena a TV pública embarcar nessa onda colectiva.
Dantes, quando não havia concorrência, a tv dos domingos à tarde, reservada religiosamente à família, era enchida com programas tipo 'Passeio dos alegres'(este não era dos piores), que eram esticados até ao desespero de 4 horas, onde eram encafuados todas as rubricas e mais alguma, de modo a passar o tempo, contra qualquer sentido de coerência televisiva e consistência de produção. Hoje é exactamente o contrário, embora com a mesma banalidade. Onde antes havia um espaço televisivo que era preciso encher de motivos, hoje há sempre um motivo pré-existe, ditado pelas audiências, que é preciso transformar em espaço televisivo, quanto maior melhor. Um dia ,é um jogo de futebol, em que até aparece um especialista a medir o grau de humidade na relva; noutro dia é um escândalo sexual em que se repete a mesma coisa de 5 em 5 minutos até que alguém caia de vertigem.
Mudam-se os tempos, mudam-se os chouriços.

musalia said...

concordo inteiramente contigo.
gostei de estar aqui :)