Thursday, June 30, 2005

Infantilização da estética feminina

Parece-me deplorável a forma obscena como a cultura pop audiovisual infantiliza a identidade estética da mulher pós-moderna. Estou cada vez mais cansado de me cruzar na rua e no trabalho com mulheres e jovens vestidas como "teenagers" ou crianças de umbigo à mostra. Não há nada mais ridículo do que ver uma mulher adulta a querer fazer-se passar por uma criança, num combate perdido contra as mazelas por vezes charmosas do tempo. Da indústria cosmética aos modelos das novas séries televisivas "Made in EUA", passando pelas fotografias cor-de-rosa depositadas em formato de revista encima das mesas de um qualquer cabeleireiro ou dentista, as mulheres modernas parecem-se, infeliz e lamentavelmente, com as suas filhas adolescentes.

11 comments:

O Puto said...

Eu extendo essa crítica à moda de vestuário de massas. As pessoas não têm espírito crítico para avaliar a sua estética individual? Irrita-me profundamente.

Virgínia Pedras said...

Eu acho absolutamente lamentável que existam pessoas que não consigam ver além da roupa...o estilo é uma coisa pessoal, só serve para nos sentirmos bem com nós próprios mas não condiciona de modo nenhum o intelecto de cada um. Há que ver para além da imagem. um bj*

Anastácio Neto said...

Querida Virgínia, não se trata de ficar pelas aparências, o que "per si", não só é possível como natural, numa análise estética, antes tomar consciência de como a indústria cultural molda comportamentos colectivos anulando precisamente o individual. Lamentável é julgares que são outros que não conseguem "ver para além da roupa"...

Virgínia Pedras said...

Mais lamentável foi a maneira como encaraste o meu cometário como uma critica pessoal...dispenso o "querida". Sabes há coisas muito mais importantes do que comportamentos sociais...as pessoas são mais que palavras e mais que roupa...mas é só e simplesmente a minha opinião, sem cinismos, frontal e verdadeira, aliás como deveriamos ser todos. um bj*

Anastácio Neto said...

Virgínia.
Primeiro nunca encaro as críticas como pessoais, muito menos o faria entre desconhecidos, como parece ser o caso.
Segundo, lamento teres sentido cinismo no "querida", pois não o houve.
Terceiro, frontalidade e verdade nem sempre andam de mãos dadas.
Agradeço as críticas, dispenso a agressividade e presunção. Lamentar que existiram pessoas com pensamentos diferentes é no mínimo "lamentável". Argumentares numa análise de comportamentos sociais, com "as pessoas são mais que palavras e mais que roupa" vale pela descoberta... tal nunca me teria passado pela cabeça.
Obrigado
bjs.

Isabel Mar said...

Querida bloguista Virgínia, Concordo completamente com a posição defendida neste post pelo seu autor. Lamento saber que existem, nesta sociedade portuguesa, pessoas tão alheias da realidade hedonista que não compreendem uma evidência provada por todos os académicos investigadores na área da antropologia social e urbana e que pode ser facilmente constatada!!! Se houve uma época em que "o hábito não fazia o monge", a urbanidade da contemporaneidade publicitária vive exactamente do seu contrário! Qualquer estudante de publicidade aprende isso no seu primeiro ano: que o vestuário diz MUITÍSSIMO sobre o ser vestido. Aconselho a minha querida bloguista a consultar alguns livros básicos de Semiótica! Isabel

Virgínia Pedras said...

Anastácio:

A arrogância e presunção não estiveram nunca naquilo que escrevi mas naquilo que leste...
Nada do que escrevi foi com tal intuito, mas se te ofendi apenas posso pedir desculpa, não era nem nunca foi a minha intenção.

Anyway...

Isabel:...não lhe sou querida. A publicidade até pode viver disso, mas não é de publicidade que falo mas de pessoas, será assim tão complexo que não esteja a ser entendível?...

De qualquer modo e como já disse esta é unicamente a minha opinião, não queria causar distúrbios na vossa mentalidade a meu ver um pouco simplista...

bj

Isabel Mar said...

Virgínia, peço desculpa se a ofendi quando a tratei por "querida", mas trato habitualmente assim as pessoas; para mim todas as pessoas são "queridas", até prova em contrário. Quanto ao "simplismo", o que eu pretendi dizer, mas obviamente falhei e peço desculpa por isso, foi exactamente o contrário: é que os seres humanos de uma dada cultura funcionam de modo muito idêntico nos seus desejos, medos e expectactivas e ISSO não é nada simplista. Ao contrário da Virgínia eu NÃO formulei a minha opinião, mas limitei-me a referir factos comprovados. Os seres humanos (EU estou incluída, obviamente) são muito mais básicos do a ideia que eles próprios têm e que lhe vem do enoooorme egocentrismo inerente à existência no seio de uma cultura que fomenta exactamente isso. Na sua opinião que outra azão haveria para a publicidade funcionar tão bem? Pense nisto como uma sugestão construtiva e não fique na defensiva, porque nós nem conhecemos, não é? Parece-me também que o autor deste blog não disse que não consegue "ver para além da roupa", tal como eu não falo dessa questão. Mas quando você se cruza com alguém na rua que mais pode ver para além do vestuário, penteado e modo de se mexer? Sem nenhum tipo mais de informação qual é a base para estabelecer uma análise interpretativa? E não me diga que não faz nenhum tipo de avaiação sobre aquilo que vê, porque isso não é possível a não ser que se seja acéfalo! Pense na forma como se veste e diga honestamente se você não se deixa condicionar pela moda.Lembro-me de uma aluna minha que colocou também essas dúvidas! Eu só consegui sorrir porque ela desejava vir a fazer uma carreira na área da comunicação... Mais uma vez desculpe o "Querida" - Já agora deixe-me acrescentar que é a primeira vez que sei de alguém que se ofende com uma palavra de ternura. Devia pensar nisso também, eu acho...

Virgínia Pedras said...

" Aconselho a minha querida bloguista a consultar alguns livros básicos de Semiótica! Isabel"...onde é que aqui está a ternura?...não se trata de ofensas, apenas não gosto.

Ah...sim, de facto já fiz especulações acerca das pessoas unicamente pelo modo de se vestirem, mas foi um erro, já não faço mais.Hoje em dia, não penso nada de ninguém unicamente pelas suas roupas.

Não Isabel, não sou, nem nunca fui de modas...gosto de vestir aquilo com que me sinto bem, mas nunca fui de modas.

E sim, o meu comentário foi a minha opinião, mas não é para isso que servem as caixas de comentários? Para exprimirmos as nossas opiniões aos autores dos textos?...eu penso que sim.

um bj*

Anastácio Neto said...

Obrigado pela tua opinião, será sempre bem-vinda. É bom discordar e encontrar visões diferentes.

Anonymous said...

Que discussao mais parva, quem é que quer a infantilizaçao feminina? Nao é se calhar o infantil masculino.
Ide passear!